Trief

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17 de outubro de 2026

PETISTAS PARARAM DE FALAR DE DINHEIRO DE VORCARO NO FILME DE JAIR BOLSONARO, QUANDO O PRÓPRIO VORCARO DENUNCIOU QUE PAGOU PROPINA PARA O FILME DE LULA!

Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado, já com o filme do Lula foi dinheiro por fora e ele recebeu propina. Então o Bolsonaro pediu patrocínio e o Lula pediu propina!

A política possui um talento extraordinário para produzir frases que envelhecem numa velocidade impressionante. Em determinado momento, a ordem era enfática: “Delata, Vorcaro!! O Brasil não aguenta mais tanta sujeira e corrupção. Que paguem todos. Todos” - “Todos.” Essa última palavra é particularmente bonita. Forte. Solene. Republicana. Quase dá vontade de colocar numa moldura.

O pequeno problema aparece quando descobrimos que “todos” significa realmente todos, inclusive quando o relato, a investigação ou as revelações começam a atingir quem estava na arquibancada pedindo sangue. É muito confortável defender transparência quando imaginamos que a luz será apontada exclusivamente para o adversário.

É fácil gritar: “Investiguem!” Quando esperamos que investiguem os outros. É fácil exigir: “Conte tudo!” Quando temos certeza de que nosso nome não aparecerá na história.

E é maravilhoso proclamar: “Que paguem todos!” Até descobrirmos que o substantivo “todos” não possui filiação partidária. Aí o princípio abstrato encontra a realidade. E a política oferece uma de suas cenas favoritas: o sujeito que pediu que abrissem a caixa agora observa, ligeiramente desconfortável, o que está saindo de dentro dela.

Mas é justamente aí que descobrimos se havia um princípio ou apenas conveniência. Se queremos investigação, queremos investigação até o fim. Se queremos transparência, queremos transparência para todos. Se queremos responsabilização, ela não pode terminar exatamente na fronteira do nosso grupo político. Direita, esquerda, centro, governo ou oposição: o critério precisa ser o mesmo.

E convém fazer uma ressalva indispensável: ser mencionado, citado ou tornar-se objeto de apuração não significa automaticamente ser culpado. Acusações precisam ser verificadas, versões precisam ser confrontadas e responsabilidades precisam ser demonstradas por evidências. Mas a ironia política permanece complexa e seletiva.  Porque algumas frases não precisam ser refutadas.

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