Certamente, uma pergunta descabida e sem sentido, mas em uma sociedade marcada por valores machistas e na qual imperam narrativas sem base real religiosa, ou filosófica ou biológica sempre é bom relembrar que homens e mulheres nasceram para povoar o mundo e, compartilhando suas experiências, construir a humanidade de antes, de hoje, do futuro.
Homens e mulheres
têm a mesma capacidade de cognição, de trabalho e criatividade. Qualquer
interpretação fora desses marcos nasce da ignorância daqueles que ainda
imaginam arrastar as mulheres pelo cabelo com um tacape na mão, imagem trágica
que costuma representar supostamente o início da vida humana, quando esta ainda
se recolhia ao interior das cavernas.
Salvo
interpretações fundamentalistas, a primazia masculina não encontra guarida, por
exemplo, nos textos religiosos cristãos. O homem e a mulher nasceram à imagem
de Deus, sem hierarquia ou submissão. Arranjos sociais outros foram dados por
circunstâncias históricas e tradição, não por determinação dos textos sagrados.
A filosofia, em
todos os seus ramos, também não dá guarida à masculinidade como centro gravitacional
por excelência. Ao contrário, ao evoluir, e entendendo a marcha humana, os
preceitos filosóficos afirmam a igualdade entre esses dois gêneros, obviamente
resguardadas as diferenças biológicas naturais.
E a biologia e as
ciências, com suas pesquisas e rigor, há muito bateram o martelo: homens e
mulheres têm a mesma capacidade. E se antes, em tempos passados, a biologia
podia determinar alguma diferença quanto à divisão do trabalho dada pela força
muscular, a tecnologia e outros processos de socialização deixaram essa questão
para trás, e toda atividade nos dias atuais pode ser exercida com a mesma
eficiência pelas mãos masculinas e femininas.
As mulheres
plantam flores, geram e criam os seus filhos, cantam, escrevem poesia, julgam
nos tribunais, brilham nas salas de aula e centros de pesquisa, mas também já
integram forças militares e policiais, dirigem carros pesados pelas estradas,
comandam perfuratrizes que abrem túneis pelo interior bruto das montanhas. E
praticam com destreza esportes de todo tipo e se destacam, inclusive, em um
campo antes tido como exclusivo dos homens: o do futebol.
As mulheres, com
sua competência e eficiência, adentraram praticamente todos os segmentos da
atividade humana – e essa marcha não tem como ser contida. Quem sabe, na verdade
os homens é que precisam se reinventar, assumindo sem preconceitos atividades
consideradas menos nobre pelo machismo – o compartilhamento das atividades do
lar, por exemplo.
Se a mulher avança
de maneira destemida, infelizmente há muitas áreas que resistem a essa marcha,
por medo ou por injunções culturais. Uma delas é a da política. A representação
das mulheres no parlamento raramente ultrapassa a 20% das bancadas. A mulher,
por exemplo, nunca presidiu o Senado, enquanto essa conquista já foi alcançada
no Executivo e no Supremo. O rancho machista costuma reservar às mulheres as
suplências ou as vagas a vice nos pleitos eleitorais majoritários, em muitos
casos resultado de meros arranjos familiares.
Esse ciclo precisa ser quebrado, o que exige das mulheres mais energia e coragem para proclamar à sociedade: sim, se não abrimos mão do cuidar da família e dos filhos, também queremos a igualdade na política e na repartição do poder. A busca da igualdade no exercício do poder não se volta para reproduzir desvios de conduta no trato da questão pública, realidade que nos entristece muito. É para levar ao poder a sensibilidade e o olhar feminino, lapidados no decorrer dos séculos pelo carinho que sempre atou a relação mãe e filho e, obviamente, cimentou estruturas familiares. O olhar e o carinho maternais são um bem escasso na política. É imperioso que se façam presentes mais e mais na Bahia e no Brasil.
É angustiante ver ainda na sociedade a violência praticada contra as mulheres por mentes doentias e estúpidas. A presença maior das mulheres na política e nos espaços de poder é uma exigência democrática. A mulher não quer tutelar ninguém, porém não admite também ser tutelada. Buscar isonomia e equidade entre homens e mulheres é apostar no diálogo, na harmonia, na paz. E essa é uma questão que ficará mais fortalecida, com mais mulheres eleitas!

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente no blog do Val Cabral.