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22 de setembro de 2026

A POLÍTICA SERÁ MELHOR, COM MAIS MULHERES ELEITAS

A busca da igualdade no exercício do poder não se volta para reproduzir desvios de conduta no trato da questão pública, realidade que nos entristece muito. É para levar ao poder a sensibilidade e o olhar feminino, lapidados no decorrer dos séculos pelo carinho que sempre atou a relação mãe e filho.

Certamente, uma pergunta descabida e sem sentido, mas em uma sociedade marcada por valores machistas e na qual imperam narrativas sem base real religiosa, ou filosófica ou biológica sempre é bom relembrar que homens e mulheres nasceram para povoar o mundo e, compartilhando suas experiências, construir a humanidade de antes, de hoje, do futuro.

Homens e mulheres têm a mesma capacidade de cognição, de trabalho e criatividade. Qualquer interpretação fora desses marcos nasce da ignorância daqueles que ainda imaginam arrastar as mulheres pelo cabelo com um tacape na mão, imagem trágica que costuma representar supostamente o início da vida humana, quando esta ainda se recolhia ao interior das cavernas.

Salvo interpretações fundamentalistas, a primazia masculina não encontra guarida, por exemplo, nos textos religiosos cristãos. O homem e a mulher nasceram à imagem de Deus, sem hierarquia ou submissão. Arranjos sociais outros foram dados por circunstâncias históricas e tradição, não por determinação dos textos sagrados.

A filosofia, em todos os seus ramos, também não dá guarida à masculinidade como centro gravitacional por excelência. Ao contrário, ao evoluir, e entendendo a marcha humana, os preceitos filosóficos afirmam a igualdade entre esses dois gêneros, obviamente resguardadas as diferenças biológicas naturais.

E a biologia e as ciências, com suas pesquisas e rigor, há muito bateram o martelo: homens e mulheres têm a mesma capacidade. E se antes, em tempos passados, a biologia podia determinar alguma diferença quanto à divisão do trabalho dada pela força muscular, a tecnologia e outros processos de socialização deixaram essa questão para trás, e toda atividade nos dias atuais pode ser exercida com a mesma eficiência pelas mãos masculinas e femininas.

As mulheres plantam flores, geram e criam os seus filhos, cantam, escrevem poesia, julgam nos tribunais, brilham nas salas de aula e centros de pesquisa, mas também já integram forças militares e policiais, dirigem carros pesados pelas estradas, comandam perfuratrizes que abrem túneis pelo interior bruto das montanhas. E praticam com destreza esportes de todo tipo e se destacam, inclusive, em um campo antes tido como exclusivo dos homens: o do futebol.

As mulheres, com sua competência e eficiência, adentraram praticamente todos os segmentos da atividade humana – e essa marcha não tem como ser contida. Quem sabe, na verdade os homens é que precisam se reinventar, assumindo sem preconceitos atividades consideradas menos nobre pelo machismo – o compartilhamento das atividades do lar, por exemplo.

Se a mulher avança de maneira destemida, infelizmente há muitas áreas que resistem a essa marcha, por medo ou por injunções culturais. Uma delas é a da política. A representação das mulheres no parlamento raramente ultrapassa a 20% das bancadas. A mulher, por exemplo, nunca presidiu o Senado, enquanto essa conquista já foi alcançada no Executivo e no Supremo. O rancho machista costuma reservar às mulheres as suplências ou as vagas a vice nos pleitos eleitorais majoritários, em muitos casos resultado de meros arranjos familiares.

Esse ciclo precisa ser quebrado, o que exige das mulheres mais energia e coragem para proclamar à sociedade: sim, se não abrimos mão do cuidar da família e dos filhos, também queremos a igualdade na política e na repartição do poder. A busca da igualdade no exercício do poder não se volta para reproduzir desvios de conduta no trato da questão pública, realidade que nos entristece muito. É para levar ao poder a sensibilidade e o olhar feminino, lapidados no decorrer dos séculos pelo carinho que sempre atou a relação mãe e filho e, obviamente, cimentou estruturas familiares. O olhar e o carinho maternais são um bem escasso na política. É imperioso que se façam presentes mais e mais na Bahia e no Brasil.

É angustiante ver ainda na sociedade a violência praticada contra as mulheres por mentes doentias e estúpidas. A presença maior das mulheres na política e nos espaços de poder é uma exigência democrática. A mulher não quer tutelar ninguém, porém não admite também ser tutelada. Buscar isonomia e equidade entre homens e mulheres é apostar no diálogo, na harmonia, na paz. E essa é uma questão que ficará mais fortalecida, com mais mulheres eleitas!

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