A festa do 2 de Julho e seu cortejo é hoje um evento tão político quanto patriota. Em geral, quem está no governo aparece mais, porém, neste ano, quem aproveitou melhor foi ACM Neto, candidato a governador, em evento na cidade que comandou por oito anos com aprovação acima de 80%.
Neto levou para o desfileum enorme contingente de
vereadores da capital e de todas as regiões do estado, dando a eles um
protagonismo inédito. A estratégia é usar os vereadores como alavanca em
cidades onde o prefeito está com o adversário. Aplaudido em todo o trajeto, ele
saiu por cima.
O esquema de ACM Neto também acertou com a
concentração entre o Barbalho e o Santo Antônio Além do Carmo, com sua multidão
embalada por um pagodão e uma rajada de fogos com fumaça azul pensada para as
redes sociais. O momento gerou muitas boas imagens para a campanha online.
Do outro lado, deu tudo errado para o atual
governador Jerônimo Souza, do PT. Sua maior "atração" seria o chefe
Lula da Sulva (PT), que teve medo das vaias e de ser contaminado pela péssiam
imagem de Jaques Wagner depois das revelações de seu envolvimento com o
escândalo do Banco Master.
Lula preferiu ir ao Rio Grande do Norte, onde
"inaugurou" um trecho da transposição do São Francisco... sem água. O
canal foi improvisado com um conteiner e está longe de terminado. A falsa
conclusão foi usada por causa do período que impede participação em eventos
públicos, que começa no sábado.
Sem Lula, Jerônimo só tinha para acompanhar o
próprio Wagner, alvo de vaias durante todo o trajeto, com grupos segurando cartazes
aludindo ao caso Master, a coleção de relógios de alto luxo, a morada de R$ 20
milhões e o apartamento de R$ 2,5 milhões para a filha, comprado por Guga Lima.
Rui Costa, o outro acompanhante, também foi vaiado o
tempo todo, com alusões ao escândalo dos respiradores que ele encomendou em uma
loja de produtos à base de maconha que nunca fabricou um equipamento deste
tipo. Rui pagou R$ 48,7 milhões antecipados e parte virou propinas.
O perfil "radioativo" de Jerônimo, Wagner
e Rui fez com que raros deputados chegassem perto do trio, que só teve como
companhia os servidores do estado. Fez contraste com ACM Neto, ao lado do
prefeito Bruno Reis, Zé Cocá, Ângelo Coronel, João Roma e o ex-governador Romeu
Zema.
Jerônimo ainda teve sua imagem manchada ao torcer violentamente o braço de uma mulher que o provocou. Já Rui Costa gerou críticas ao inventar que a esposa de ACM Neto tinha sido incluída na investigação do Banco Master. Era mentira e pegou mal.

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