Com o escancarado crescimento da rejeição ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT), o Partido dos Trabalhadores (PT), articula uma estratégia para tentar estancar o desgaste do governador da Bahia e preservar a hegemonia da sigla no estado. A principal aposta é reforçar, de forma mais intensa, a associação da imagem de Jerônimo à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa tentativa de reproduzir o efeito eleitoral observado em 2022.
A
presença do presidente ao lado do governador é vista, internamente, como uma
oportunidade simbólica e política para reposicionar Jerônimo junto ao
eleitorado baiano, sobretudo em um momento de críticas crescentes à gestão
estadual.
Nos
bastidores, dirigentes petistas avaliam que Lula continua sendo o principal
ativo eleitoral do partido na Bahia e acreditam que o reforço dessa vinculação
pode ajudar a reduzir resistências ao governador. Em 2022, a força do
presidente foi determinante para manter o PT no comando do estado, mesmo após
16 anos consecutivos de governo.
No
entanto, uma ala mais cautelosa do partido reconhece que o cenário atual é
distinto. Diferentemente do pleito anterior, tanto Lula quanto Jerônimo
enfrentam hoje níveis de rejeição mais elevados, o que pode limitar a eficácia
da estratégia. Levantamentos recentes indicam que 56% dos eleitores baianos
rejeitam a possibilidade de um segundo mandato de Jerônimo Rodrigues. Entre os
principais fatores apontados estão problemas na segurança pública, na saúde e
na mobilidade urbana.
Esse quadro tem alimentado
divergências internas no PT baiano. Setores da legenda, alinhados ao ministro
da Casa Civil, Rui Costa, defendem abertamente o nome do ex-governador como
alternativa para a disputa eleitoral de outubro. Rui, que governou a Bahia por
dois mandatos consecutivos, ainda mantém influência política expressiva e
índices de aprovação superiores aos do atual governador.
Segundo interlocutores do partido,
caso essa mudança de rota se concretize, Jerônimo Rodrigues seria convidado a
integrar o governo Lula em uma eventual reeleição presidencial, como forma de
acomodação política e preservação da unidade partidária.
Enquanto o partido busca uma definição, o PT se movimenta para evitar que o avanço da rejeição comprometa não apenas o projeto estadual, mas também o desempenho eleitoral do campo governista na Bahia, um dos principais redutos petistas do país.
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