A entrada de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, no PSD, onde deve ganhar a disputa com Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR), para concorrer à presidência da República, promoverá provavelmente uma grande reviravolta política na Bahia, onde o senador Angelo Coronel (PSD) pode deixar a condição de patinho feio excluído pelo PT da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), para dar as cartas na sucessão estadual.
Com Caiado como candidato a presidente, o PSD
pode até fazer uma concessão, permitindo que o senador Otto Alencar vote em
Lula na Bahia, mas certamente não negará a Coronel o direito de concorrer à
reeleição. Pelo contrário, deve estimular a candidatura do senador numa
coligação com o candidato das oposições ao governo, ACM Neto, que já assumira o
compromisso de apoiar Caiado à Presidência quando ele ainda estava no União
Brasil.
Para aliados próximos, Neto também pode
condicionar apoio ao nome de Caiado ou eventualmente ao de outro candidato do
PSD a uma coligação com o partido de Kassab na Bahia, que inclua a candidatura
à reeleição de Coronel em sua chapa. "Neto pode muito bem dizer que vota
no candidato do PSD a presidente, desde que Coronel seja candidato a senador em
sua chapa numa coligação com o PSD na Bahia com ele", diz importante
apoiador do ex-prefeito de Salvador.
A Operação Caiado-PSD aponta, a priori, para a
consolidação de três candidaturas no campo da oposição ao presidente Lula em
outubro - a do PSD, que pode ser encabeçada por ele, por Ratinho ou Leite, a do
Novo, a ser liderada por Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e a do PL, com
Flávio Bolsonaro - com igual impacto na Bahia e repercussão favorável à
candidatura de Neto ao governo.
Pelos cálculos dos netistas, com Zema apoiado
pelo candidato a governador José Carlos Aleluia, o nome do PSD respaldado por
Neto e Flávio concorrendo em articulação com João Roma, um dos candidatos ao
Senado na chapa do ex-prefeito, dificilmente Lula terá forças para catapultar a
candidatura de Jerônimo à reeleição, como fez na sucessão de 2022. Naquela
eleição, Neto, inclusive, teve 20% dos votos lulistas no Estado.
Sob o impacto da filiação de Caiado, Otto tem
buscado dizer a correligionários e aos petistas, que não corre o risco de
perder o comando do PSD no Estado, mas não consegue negar que o movimento
fortaleceu a posição de Coronel em detrimento da dele, restando-lhe apenas, até
agora, o direito de apoiar Lula e Jerônimo. Para reforçar que sua posição não é
mais a de senhor da legenda na Bahia, está o histórico de cinco intervenções
feitas por Kassab em estados nos últimos meses.
Antes do movimento de Caiado, aliados de Coronel
traçavam cenário em que ele poderia deixar o PSD até março e migrar para a
oposição. Se o movimento se confirmasse, o destino estaria praticamente
definido: o União Brasil. A discussão acontecera com Neto, diante da avaliação
dos riscos de concorrer em um partido que caminhava para seguir aliado ao PT.
Uma vez na oposição, seria eleitoralmente mais interessante para Coronel vestir
a camisa do 44. Mas veio o destino e...
Quem acompanha com apreensão as discussões sobre a montagem da chapa de Neto é o Republicanos, que pode novamente ficar de fora. Em 2022, a vice da chapa do ex-prefeito ao Palácio de Ondina foi ocupada pela empresária Ana Coelho, filiada ao partido, sem relação orgânica com a legenda, numa estratégia conhecida como “barriga de aluguel”. Agora, os bispos do partido esperavam espaço para o deputado federal Márcio Marinho ou ao menos para o ex-deputado Marcelo Nilo, mas...!

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