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6 de fevereiro de 2026

BRASILEIRO É A 7ª PESSOA NO MUNDO A ELIMINAR O HIV: “ACHEI IMPOSSÍVEL”

O Brasileiro que é a 7ª pessoa "curada" do HIV no mundo está sendo chamado de "Paciente de São Paulo".

Nem ele acreditou na notícia: um brasileiro se tornou a 7ª pessoa no mundo a alcançar o que especialistas chamam de “cura funcional” do HIV. Conhecido como “Paciente de São Paulo”, ele contraiu o vírus em 2012, iniciou o tratamento convencional e, em 2016, aceitou participar de uma pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com uma abordagem experimental.

O protocolo inovador combinava o coquetel tradicional com outros três medicamentos capazes de “acordar” o HIV adormecido nas células, permitindo que o próprio coquetel destruísse o vírus, algo que os tratamentos atuais não conseguem fazer.

Três anos depois, o vírus desapareceu dos exames. “Ele falou que eu estava curado. Eu achava impossível. Pedi para repetir o exame na frente da médica e de três enfermeiras. Quando o resultado deu negativo, todas começaram a chorar. Eu não tinha mais o vírus no meu sangue”, contou o paciente em entrevista ao Fantástico.

PESQUISA INÉDITA NO BRASIL. O estudo foi coordenado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, da Unifesp. Além dos medicamentos, os cientistas aplicaram uma espécie de “vacina personalizada”: o vírus do próprio paciente foi modificado em laboratório e reintroduzido no corpo, treinando o sistema imunológico a reconhecer e eliminar células infectadas.

Durante um ano e meio, o paciente permaneceu sem anticorpos detectáveis contra o HIV, como se nunca tivesse tido contato com o vírus. Outros dois voluntários também apresentaram remissão sem uso de remédios, mas por períodos mais curtos. “Além da carga viral indetectável e da ausência do vírus nas células, os anticorpos do HIV sumiram. Isso é algo que nunca tínhamos observado em estudos apenas com medicamentos”, destacou Diaz.

O Paciente de São Paulo contou que conseguiu ficar dois anos sem tomar remédios. “Nunca engordava, mas quando suspendemos os medicamentos, meu corpo mudou. Minha pele ganhou cor, parecia um bronzeado novo”, disse.

Apesar do avanço, os especialistas evitam falar em “cura definitiva”. O termo mais usado é “cura funcional” ou “remissão prolongada”, já que o vírus pode existir em reservatórios escondidos no organismo. Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Sociedade Brasileira de Infectologia: “O objetivo é manter o paciente com carga viral indetectável e sem transmitir o vírus, mesmo sem o uso de medicamentos.”

O estudo brasileiro, publicado em uma revista científica internacional, pode abrir caminho para novas terapias menos invasivas e mais eficazes.

HIV NO BRASIL

    Mais de 800 mil pessoas vivem com HIV no país, segundo o Ministério da Saúde.

    O SUS oferece tratamento gratuito e universal.

    Entre 40 mil e 50 mil novos casos surgem por ano.

    Cerca de 10 mil pessoas ainda morrem anualmente por complicações da Aids.

Uma novidade já disponível nas farmácias é a injeção preventiva contra o HIV, aplicada a cada dois meses e mais eficaz que os comprimidos. Porém, devido ao alto custo, ainda não foi incorporada ao SUS.

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