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19 de janeiro de 2015

NÃO HÁ AMOR MAIOR QUE O DE MÃE

Faz vinte e cinco anos que minha mãe nos deixou, sucumbindo a um súbito derrame cerebral. Passaram-se pouco mais de cinco dias entre o diagnóstico e o seu falecimento, dias atrozes em que eu, meu pai e meus irmãos e irmãs nos deparamos com a nossa absoluta impotência diante da fatalidade, a medicina sem nenhum recurso para nos oferecer e o dinheiro sem valer coisa nenhuma, já que nada nos restava a não ser esperar pelo triste desfecho fatídico. Passado o sofrimento daquela partida, daquela que foi a maior perda cravada em meu coração de adulto, é como se ainda hoje a ferida estivesse aberta, e fosse magoada um pouquinho a cada dia. O tempo faz com que nos acostumemos à ausência física da pessoa amada, a não ouvirmos a sua voz diariamente, a não vermos o seu rosto no nosso cotidiano; mas nunca se apaga em mim a lembrança da essência de Nice, viva cada vez mais na memória de tanta coisa boa partilhada juntos, presente no que soubemos construir ao longo de pouco mais de anos e que se tornou para mim bênção, dádiva e acalanto. O órfão maduro é o mais solitário de todos os viventes. A mãe é o último elo que ainda nos une à criança que um dia fomos, a única pessoa diante de quem nos permitimos chorar sem pudor, com quem podemos nos confessar às vezes frágeis e em dúvida. "Quem tem mãe tem todos os parentes", dizia o poeta Tito de Barros. Quem não a tem, como eu, sente na alma a tristeza profunda, doída, de não mais escutar o "Deus lhe abençoe" que servia como um verdadeiro escudo, de não mais sentir a mão macia que deslizava em nossa face qual se fosse uma carícia do céu. Recomendo aos meus leitores: não deixem para amanhã a chance de beijar a sua mãe, de abraçá-la bem forte e demoradamente, de ficar um tantinho que seja ao seu lado, mesmo sem palavra alguma, apenas em silêncio. Telefonem agora para ela, se necessário interrompendo qualquer compromisso, para dizer-lhe o quanto ela é amada. Mandem-lhe uma mensagem de texto, um email, um WhatsApp. Façam qualquer coisa, desde que seja para a sua mãe saber que, no seu coração de filho, ela ocupa um espaço único, especial, insubstituível. E que somente ela é capaz de fazer você voltar à sua velha infância, perfumando de ternura os dias de agora. Mãe é um tesouro inestimável, podem crer, e cuidar dele carinhosamente só lhes fará bem.

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