Trief

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19 de janeiro de 2009

TUDO NÃO VEIO DO NADA - Muitos ateus argumentam que nós, seres humanos, somos “máquinas de sobrevivência”, verdadeiros robôs programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes. Nesta visão, o homem é percebido como uma simples máquina feita de carbono, um objeto puramente material cuja crença em coisas imateriais é uma espécie de ilusão. Nesta compreensão, o ser humano não é outra coisa senão o produto cego e arbitrário do tempo, do acaso e das forças naturais. Um amontoado de partículas atômicas, um conglomerado de material genético. A pessoa existe em um planeta minúsculo em um sistema solar sem expressividade, em um canto escuro de um Universo insignificante. O ser humano é uma entidade puramente biológica, diferente apenas em nível, mas não em espécie, de um micróbio, vírus ou ameba. Não existe essência além do corpo e, na morte, deixará de existir por completo. Em suma, o ser humano veio do nada e não vai para lugar algum. Na visão cristã, em contrapartida, você é a criação especial de um Deus bom e poderoso. Você foi criado à imagem dele, com uma capacidade de pensar, sentir e adorar que o coloca acima de todas as outras formas de vida. Você difere dos animais não somente em nível, mas em espécie. Sua espécie não só é única, mas você é único entre os de sua espécie. Em todo o mundo, religiosos constroem templos e pirâmides que têm muito pouca utilidade excetuando como lugares para adorações e funerais. Os cristãos contribuem financeiramente para suas igrejas através dos dízimos e outras doações. Os judeus não trabalham no sábado e dedicam o dia inteiramente à adoração, enquanto os cristãos guardam o domingo para o serviço religioso. Religiosos fazem preces e peregrinações. Alguns se tornam missionários ou dedicam a vida inteira a levar conforto espiritual aos outros, se dispondo, muitas vezes a morrer por suas crenças religiosas. Por outro lado, a medida definitiva do valor evolutivo é a adaptação na qual os organismos vivos estão em constante competição e, a partir dela, somente os seres melhores preparados às condições ambientais impostas poderão sobreviver. Diante disso, a religião parece verdadeira inutilidade do ponto de vista evolutivo na medida que, além de estimular o gasto de tempo e dinheiro, induz seus adeptos a minar seu bem-estar por meio de sacrifícios pelo bem dos outros, às vezes completos desconhecidos como foi o caso de Irmã Dulce. Daí surge a pergunta: por que criaturas evoluídas como os seres humanos empenhados na sobrevivência e reprodução, fariam coisas que parecem incompatíveis com esses objetivos e, de certa perspectiva até “prejudiciais” a eles? Agora imagine dois grupos de pessoas: o grupo secular e o grupo religioso que apóiam essas duas visões de mundo tão diferentes. Qual dos dois grupos tem mais chance de sobreviver, prosperar e se multiplicar? O grupo religioso é composto por pessoas que tem um senso animador de propósito e que consideram importante cada um de seus pensamentos e ações. O grupo secular é formado por pessoas que nem sabem ao certo porque existem e que não pode sequer explicar por que é capaz de pensar. Por que o grupo dos religiosos foi o que mais se reproduziu e vem se expandindo ao longo da história? Por que a natureza escolheria produzir um grupo de pessoas que não vêem um propósito maior para a vida ou para o Universo? Ironicamente, o ateísmo torna-se uma verdadeira “pedra no sapato” da doutrina da seleção natural exigindo uma explicação lógica urgente.

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