Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições deste domingo (25), contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vai provocar uma onda de demissões em cargos federais ocupados por baianos a partir de janeiro de 2027. Somente entre os ministros, serão três as saídas. Isso sem falar nos inúmeros cargos de livre nomeação ocupados por indicações de parlamentares que detêm uma fatia generosa da máquina pública, que serão trocados por quadros sugeridos pelos novos aliados do presidente eleito.
A
Bahia comanda hoje três ministérios no governo Lula. Um deles é o da Cultura,
capitaneado pela cantora Margareth Menezes. Ela foi indicada pela primeira-dama
Janja da Silva. A segunda pasta é a da Justiça e Segurança Pública, que tem
como ministro Wellington César Lima e Silva, ex-procurador-geral de Justiça do
Estado no governo do hoje senador Jaques Wagner (PT), que referendou a escolha
na Esplanada.
O
terceiro ministro que deixa o cargo com a eleição de Flávio Bolsonaro é Sidônio
Palmeira, da Comunicação Social (Secom), que foi decisivo nas vitórias de
Wagner e de Rui Costa (PT) ao governo baiano e que está de férias para cuidar
da campanha à reeleição de Lula no segundo turno.
Além
de provocar as saídas de ministros, a eleição de Flávio também impediria o
retorno de outros. Seria este o caso do ex-governador Rui Costa, eleito senador
em outubro e que cogita retornar ao comando da Casa Civil se Lula vencer o
pleito. Atuando na campanha à reeleição de Lula no segundo turno, Rui cederia o
mandato ao primeiro suplente, Ronaldo Carletto, presidente do Avante na Bahia.
Na
Casa Civil, ainda existem indicados do ex-ministro. É o caso, por exemplo, do
secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Marcus
Cavalcanti, outro que deve deixar a gestão em caso de vitória de Flávio. No
governo de Rui Costa, ele foi secretário de Infraestrutura da Bahia.
Senadores
perdem – Além dos ministros, Jaques Wagner também deve sofrer mais revezes com
uma eventual eleição de Flávio. Um deles seria a perda da presidência da
Companhia das Docas da Bahia (Codeba), hoje ocupada por Antonio Gobbo, indicado
pelo senador. Outro posto referendado pelo parlamentar é a chefia da Companhia
de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em
Juazeiro, preenchida por Paulo Nunes Rangel, filho do conselheiro do Tribunal
de Contas dos Municípios (TCM) Paulo Rangel.
A
outra Codevasf, a de Bom Jesus da Lapa, é comandada pela ex-prefeita de
Cotegipe Márcia da Silva Sá Teles, indicada por Rui Costa. Até meados de 2025,
os órgãos eram comandados por lideranças ligadas aos deputados federais Elmar
Nascimento (União) e Arthur Maia (União), quando havia a expectativa de apoio à
reeleição do presidente.
Já
o senador Otto Alencar (PSD) articulou, no final de 2025, o nome de Artur Watt
Neto para o comando da diretoria-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Coube ao parlamentar baiano, inclusive, a relatoria do pedido enviado ao Senado
pelo presidente da República. No caso de Artur, entretanto, ele possui mandato,
que se encerra em dezembro de 2029.
Outros
cargos – O futuro de diversos outros ocupantes de cargos indicados por
parlamentares baianos depende do resultado das eleições de amanhã. Caso Flávio
Bolsonaro tenha sucesso, muitos devem bater à porta do governo Jerônimo
Rodrigues (PT) em busca de emprego, aumentando a pressão na base aliada.
Entre
esses cargos de livre nomeação está o comando baiano do Departamento Nacional
de Obras Contra as Secas (Dnocs), ocupado por Edgar Souza Santos Filho, que
assumiu a função em maio de 2026, indicado pelo próprio governador em
substituição a Rafael Guimarães, escolhido pelo senador Angelo Coronel
(Republicanos) e que foi exonerado, inclusive, após ser alvo da Operação
Overclean.
Há,
também, a chefia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
(Dnit), hoje liderada pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Ribeira do
Pombal Roberto Alcântara de Souza, cuja indicação é do deputado federal Ricardo
Maia (MDB). Outro cargo em risco é o do superintendente dos Correios, José
Nunes da Cruz, sugerido ao governo Lula pelo deputado baiano Jorge Solla (PT).
Integram a lista de quem tem o cargo ameaçado o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Bahia, Carlos José Barbosa Borges, indicado pelo deputado federal Valmir Assunção (PT); e os diretores de Infraestrutura, Luiz Castro, e de Relações com o Mercado, José Moura, da Codeba, apadrinhados, respectivamente, pelos deputados federais Gabriel Nunes (PSD) e Ivoneide Caetano (PT).

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