O veterinário Wilson Grassi Junior (Democrata), 56, diz ser o primeiro candidato à Presidência que também é "protetor de animais" — título do qual se orgulha tanto quanto de propostas como extinguir a CLT e multiplicar o salário de parlamentares.
Para
resolver o que chama de "sequestro" do Brasil por interesses de
deputados e senadores, defende elevar o salário de cada parlamentar para R$ 1
milhão por mês —em troca do fim de emendas parlamentares e da obrigação de o
parlamentar bancar despesas hoje cobertas por verba pública, como assessoria,
carro e plano de saúde. Segundo ele, a medida gerará economia de cerca de R$
300 bilhões ao ano, cálculo que diz ter feito somando o que chama de emendas
públicas e "emendas secretas" a partir de reportagens de imprensa.
"Eu
tenho muita proposta polêmica, mas que eu tenho certeza que vai melhorar o
Brasil", diz à Folha. Várias delas não constam em seu programa de governo,
o que atribui ao receio de desagradar a legenda. "Senão o partido não ia
nem deixar eu ser candidato."
Uma
proposta, batizada por ele de "Meu Botox, Minha Vida", é oferecer
aplicação gratuita de toxina botulínica a mulheres de baixa renda. Segundo
Grassi, o projeto trata de autoestima, e seria financiado com parte do imposto
arrecadado sobre cosméticos ou com corte no financiamento público de campanhas
eleitorais.
Filiado
este ano ao partido Democrata, Grassi concorre à Presidência pela primeira vez.
Já disputou três eleições antes: foi derrotado como candidato a deputado
estadual em São Paulo (2006, pelo PFL) e a vereador na capital paulista (2024,
pelo PRTB); em 2022, teve o registro de candidatura a deputado federal
indeferido pela Justiça Eleitoral, por "ausência de requisito de
registro".
Concorrendo
junto à vice Suêd Haidar, a fundadora do partido, diz não ter sido propriamente
convidado, mas ter procurado a legenda e pedido, primeiro, para sair candidato
a senador, e, posteriormente, diz ter convencido a gestão de que era um bom
presidenciável. "Houve uma comunhão de pensamento e o partido aceitou a
minha candidatura".
Grassi
propõe substituir nove tributos federais por um imposto único de 2% sobre
movimentações bancárias —medida que, segundo ele, tornaria mais vantajoso para
as empresas pagar impostos do que sonegar. Também defende a extinção da CLT e
da Justiça do Trabalho, argumentando que isso elevaria salários ao remover
encargos trabalhistas. "A gente precisa matar o Getúlio Vargas, ou
enterrar, porque ele já morreu, mas ele deixou uma cultura de que o empregado é
um coitadinho."
Defende
ainda o aumento do valor do Bolsa Família para R$ 2.000 —com a contrapartida de
que beneficiários percam o direito de votar. "As pessoas mais pobres
tendem a votar na esquerda, as pessoas mais ricas tendem a votar na direita. A
esquerda quer se eternizar no poder mantendo as pessoas pobres".
Sobre
a defesa, presente no plano de governo, de abrir debate sobre regime legal de
mineração em terras indígenas, diz que o garimpo ilegal já ocorre nesses locais
sem qualquer fiscalização e que regulamentar a atividade permitiria controle e
arrecadação.O candidato declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 50
milhões, registrado como item único, sem detalhamento de imóveis ou empresas
específicas. Perguntado, diz que a declaração está dentro da lei, que possui
diversos imóveis e cerca de 50 empresas, e que preferiu não especificá-los por
privacidade.
"A minha necessidade de ganhar a eleição é zero", afirma. "Eu tenho obrigação de falar a verdade [...] e deixar a critério da imprensa e do eleitor a decisão se eu mereço essa confiança ou não”.
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