Pesquisas são realizadas por meio de uma ferramenta matemática chamada de amostragem, onde um número de pessoas é selecionado para se calcular em média, sobre quais são suas intenções de votos naquele momento.
A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (29), traz importantes reflexões sobre a disputa na Bahia, embora também abra espaço para questionamentos quanto à metodologia. Quais foram as cidades escolhidas pela Quaest? Dependendo da região, o estudo pode apresentar distorções significativas. Afinal, estamos falando de um estado de dimensões continentais, com 417 municípios. É estranho entrevistar 18 pessoas em Ouriçangas, que tem pouco mais de 7 mil habitantes, e também 18 em Lauro de Freitas, município com mais de 203 mil moradores. Na pesquisa de abril, esse critério já havia sido alvo de muitas críticas.
A fotografia do levantamento atual, realizado com 1.200 eleitores entre os dias 23 e 27 de julho, indica vantagem de ACM Neto (43%) sobre Jerônimo Rodrigues (39%) em uma eventual disputa de segundo turno. Há três meses, o mesmo instituto apontava ACM Neto com 41% e Jerônimo com 38%. A diferença, que era de três pontos percentuais, passou para quatro. Portanto, dentro da margem de erro. Vale destacar que, nesse período, ocorreram diversos movimentos políticos do Governo, como assinatura de convênios e a realização do PGP. Ainda assim, o cenário praticamente não se alterou em relação a abril, o que pode indicar um processo de consolidação da disputa. Além disso, podemos estar diante de um voto silencioso da oposição, movimento comum e que já aconteceu em outras eleições.
Um dado, em especial, chama atenção: 13% do eleitorado ainda está indeciso. Outro recorte relevante é o perfil desses indecisos. Os dados mostram que 16% das mulheres ainda não definiram o voto, contra 10% dos homens. Isso revela que o eleitorado feminino concentra uma parcela importante daqueles que ainda podem decidir a eleição.
São as mulheres que costumam estar diretamente envolvidas nas questões do cotidiano das famílias. São elas que, muitas vezes, acompanham os filhos às unidades de saúde, administram o orçamento doméstico e vivenciam de perto problemas relacionados aos serviços públicos e à violência. Quando uma mãe chora, outras mães se emocionam. Elas trazem essa realidade para dentro de casa. Exercitam a empatia.
Quem conseguirá se conectar com as mulheres: governo ou oposição? As mulheres, que representam a maioria do eleitorado, estarão ou não no centro da campanha?
São muitas as reflexões que precisam ser feitas. Como é que um governador que está no mandato, representando um grupo político que administra a Bahia há 20 anos, não consegue ultrapassar os 40% das intenções de voto? Vejamos: se o eleitor observa que o governador Jerônimo Rodrigues já está no cargo e, ainda assim, permanece indeciso sobre sua continuidade, é porque existem dúvidas reais sobre a manutenção do atual governo. A própria pesquisa mostra que 43% do eleitorado baiano deseja “mudar o que não está bom” e 33% defendem “mudar totalmente”. Por outro lado, 21% preferem “continuar o trabalho que vem sendo feito”.
A pesquisa foi encomendada pelo banco Genial Investimentos, possui margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BA-02331/2026.
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