A Catedral de São Sebastião não está pedindo contemplação, está pedindo sustentação. Um dos símbolos mais reconhecíveis de Ilhéus enfrenta a necessidade de intervenções estruturais que não podem mais ser adiadas. E, diante disso, a mobilização liderada pela Paróquia São Jorge e pela própria Catedral de São Sebastião surge como resposta direta. A cidade está sendo chamada a participar ativamente da preservação de um patrimônio que sempre tratou como seu.
Construída ao longo de
décadas, com início ainda nos anos 1930 e concluída apenas nos anos 1960, a
catedral carrega mais do que sua imponência arquitetônica. Ela simboliza um
período de afirmação urbana, de crescimento e de consolidação de uma identidade
que mistura religiosidade, cultura e vida cotidiana. Sua presença na paisagem
urbana não é apenas estética, é afetiva, histórica e econômica. Ignorar sua
deterioração é aceitar, de forma silenciosa, a perda de um dos marcos mais
consistentes da cidade.
É importante, antes de
darmos sequência, estabelecer um ponto de clareza, a catedral não é um prédio
público. Sua manutenção não é, formalmente, responsabilidade da prefeitura. A
restauração depende da própria Igreja e da mobilização da comunidade. E isso
torna a campanha ainda mais legítima e necessária. Participar não é substituir
o poder público, mas assumir, de forma consciente, a preservação de um símbolo
que pertence à vida da cidade, mesmo não sendo um bem estatal.
Esse dado, porém, não
isenta o debate mais amplo. Pelo contrário, ajuda a evidenciar o contraste. Se,
por um lado, a sociedade se organiza para cuidar do que não é público, por
outro, o que é responsabilidade direta do poder público segue, em grande medida,
sem política consistente de preservação. Prédios históricos fechados,
equipamentos culturais subutilizados e ausência de planejamento estruturado
compõem um cenário que vai além de um caso isolado. É um padrão.
A crítica, portanto,
tem que ser precisa. Não se trata de cobrar da gestão municipal a reforma da
catedral, mas de questionar por que não há diretrizes claras, contínuas e
eficazes para proteger o patrimônio que, este sim, está sob sua
responsabilidade. Cultura segue sendo tratada como pauta secundária, quando
deveria ser entendida como eixo estratégico, inclusive econômico, em uma cidade
que tem no turismo, uma das suas principais fontes de renda.
Enquanto isso, a
campanha de restauração da catedral avança como pode. Eventos como a Corrida da
Catedral, ações comunitárias e doações diretas mostram que há disposição da
população em participar. Mas também deixam evidente que, diante da ausência de
uma política mais ampla, a cidade vai resolvendo seus problemas de forma
fragmentada, sempre reagindo, raramente planejando.
Diante desse quadro, a
mobilização em torno da Catedral de São Sebastião ganha um significado maior.
Ela não é apenas sobre fé, nem apenas sobre um prédio. É sobre pertencimento e
responsabilidade compartilhada. É sobre decidir, na prática, o que merece ser
preservado.
As formas de
participação são diretas. As doações podem ser feitas nas paróquias, durante os
eventos organizados pela comunidade ou por meio dos canais oficiais da
campanha, como o perfil de Instagram da campanha
(@restauracao_catedraldeilheus) e o perfil oficial (@paroquiasaojorgeilheus).
Cada contribuição cumpre um papel concreto de manter em pé um símbolo que não
se sustenta apenas pela memória.
A catedral resiste. Mas resistência, por si só, não resolve. Se é, de fato, parte da cidade, a resposta precisa sair do discurso e chegar à ação. Venha participar dessa restauração você também Por Professor Emenson Silva!

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