Natal Itabuna

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Trief

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21 de março de 2026

MERENDA DE PAPEL, FOME DE VERDADE.

Quando a gestão falha no básico, a conta chega no prato (vazio) de quem mais precisa

Há gestões que erram no detalhe. Outras tropeçam no básico. E há aquelas que conseguem a proeza de transformar um prato de comida em problema de gabinete, como se alimentar crianças fosse um capricho administrativo e não uma obrigação elementar do poder público. Em Ilhéus, a merenda escolar entrou nessa zona vexatória, em que o discurso corre mais rápido que a comida e, no caso, o prato ficou para depois.

O problema, porém, não está apenas no atraso burocrático. O que se vê é uma administração que parece sempre descoberta pelo próprio calendário. Fala-se em processos, em trâmites, em etapas, como se a fome pudesse aguardar o rito completo da papelada. Só que criança não aprende com justificativa. E muito menos com promessa. Quando a merenda falha, não falha só a cozinha. Falham a atenção, o rendimento, a permanência em sala de aula e, principalmente, a dignidade de quem depende da escola para a refeição mais segura do dia.

O que se desenha é uma gestão que prometeu mudança, mas entregou improviso. Uma administração que, ao que tudo indica, ainda tenta se localizar dentro de si mesma, enquanto a cidade segue sem direção clara em áreas essenciais. A narrativa de culpa herdada já não sustenta o peso da realidade, especialmente quando o tempo passa e os problemas permanecem, ou pior, se agravam. A população já percebeu que algo não está funcionando. E não é por falta de aviso.

Nesse cenário, a atuação de vozes mais atentas no Legislativo acaba ganhando relevância. A cobrança pública, a fiscalização e a insistência em tratar a merenda como prioridade não são gestos de oposição, são, no mínimo, tentativas de recolocar o básico no centro do debate. Porque, em qualquer cidade minimamente organizada, garantir alimentação escolar não deveria ser pauta extraordinária, mas rotina silenciosa e eficiente.

No fim, a pergunta que fica não exige estudo técnico nem parecer jurídico. Por que algo tão simples se tornou tão difícil?

A resposta, ainda que desconfortável, parece evidente. Falta planejamento, sobra improviso (e muitos shows para serem contratados). E, quando a gestão perde a capacidade de organizar o essencial, o resto deixa de ser promessa e passa a ser apenas expectativa frustrada. Por Emenson Silva.

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