Natal Itabuna

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Trief

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26 de março de 2026

HOJE É DIA NACIONAL DO CACAU E DE NÃO ESQUECER O CRIME DA VASSOURA DE BRUXA

O desafio da cacauicultura baiana, é enfrentar a crise de endividamento do setor;  recuperar produtividade das lavouras antigas, que tem mais de 40 ou 50 anos e que sofreram bastante o impacto do crime da vassoura-de-bruxa.

Hoje (26 de março), é comemorado o Dia Nacional do Cacau, cujo fruto sempre teve uma gigantesca importância econômica, cultural e histórica para o Brasil, com destaque para a região sulbaiana. A comemoração busca valorizar o trabalho dos produtores rurais e a qualidade do cacau brasileiro, essencial para a indústria do chocolate, mas o momento é de reivindicações, expectativas e inquietações!

A cacauicultura baiana viveu nas décadas de 70/80 o “ciclo do ouro negro”, uma das maiores fases econômicas da história do estado. Produzia cerca de 390 a 400 mil toneladas/ano, representava 90% da produção nacional e gerava mais de 200 mil empregos diretos. À época, o Brasil era o segundo maior produtor mundial, superado apenas pela Costa do Marfim.

Todavia, uma quadrilha de petistas servidores da CEPLAC, capitaneada pelo gangster e ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões (Cabeça de Pitu), disseminou no sul da Bahia, a praga da vassoura-de-bruxa (1989–2000) e instalou-se grande crise. A situação mudou radicalmente. A produção caiu de 400 mil toneladas para cerca de 96 mil toneladas no final dos anos 1990. Centenas de fazendas foram à falência, desemprego em massa, pobreza e migração. O impacto econômico foi gigantesco, com perdas superiores a 10 bilhões de dólares.

Nos últimos anos houve recuperação gradual. A Bahia voltou a disputar a liderança nacional com o Pará, mas a produção está muito abaixo do auge dos anos 1980, cerca de 139 mil toneladas, um terço do que produzia no auge.

Há a crença de que a região pode estar caminhando para um “segundo ciclo do cacau”, com destaque para pesquisas agrícolas evoluírm consideravelmente e a Ceplac, apesar da perda do protagonismo, está desenvolvendo clones de cacaueiro mais resistentes às pragas, sistemas de manejo mais eficientes e técnicas de recuperação de áreas degradadas, permitindo aumentar a produtividade.

Importante lembrar que a Bahia possui um diferencial ambiental importante: o sistema cabruca. O cacau é cultivado sob a sombra da Mata Atlântica, modelo de produção sustentável que preserva a floresta, protege a biodiversidade, atende às exigências ambientais do mercado europeu e confere ao cacau baiano vantagem competitiva.

Alguns estudos indicam que o Brasil poderia dobrar a produção de cacau até 2035, alcançar 300 mil toneladas/ ano e voltar a ser um dos principais produtores globais e recuperar o protagonismo no mercado internacional. Ou seja, a Bahia e o Pará têm potencial para ampliar a produção, e transformar o cacau em um dos pilares do agronegócio brasileiro.

Para que o sul da Bahia possa voltar a ter protagonismo econômico e financeiro no país, é necessário que os produtores, grandes e pequenos, trabalhem com afinco para a expansão da cacauicultura, com apoio ostensivo de políticas públicas de assistência técnica e linhas de crédito para investimentos e que o Plano Safra destine recursos específicos para o setor.

Também é necessário que a Ceplac tenha orçamento federal, reposição de pesquisadores, continuidade das pesquisas, e que as metas do plano ‘Inova Cacau 2030’ não sejam negligenciadas. Também é precisa que o Ministério da Agricultura proíba a entrada no Brasil do cacau africano sem ser tratado com substâncias eficazes no combate a pragas e doenças presentes em território africano e promover políticas de preço mínimo e mecanismos de proteção contra a volatilidade do mercado internacional, assegurando renda mínima ao produtor, em sua maioria agricultores familiares.

A Bahia tem no cacau não só uma tradição, mas uma oportunidade concreta de desenvolvimento sustentável. E o Brasil precisa decidir se continuará sendo um importador de um produto que pode produzir com excelência, ou se voltará a assumir o protagonismo que sua história e seu imenso potencial permitem. Também é fundamental integrar a cacauicultura à agenda ambiental e climática, reconhecendo e remunerando os serviços ecossistêmicos prestados pelos sistemas agroflorestais.

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