Hoje (26 de março), é comemorado o Dia Nacional do Cacau, cujo fruto sempre teve uma gigantesca importância econômica, cultural e histórica para o Brasil, com destaque para a região sulbaiana. A comemoração busca valorizar o trabalho dos produtores rurais e a qualidade do cacau brasileiro, essencial para a indústria do chocolate, mas o momento é de reivindicações, expectativas e inquietações!
A cacauicultura baiana viveu nas décadas de 70/80 o
“ciclo do ouro negro”, uma das maiores fases econômicas da história do estado.
Produzia cerca de 390 a 400 mil toneladas/ano, representava 90% da produção nacional
e gerava mais de 200 mil empregos diretos. À época, o Brasil era o segundo
maior produtor mundial, superado apenas pela Costa do Marfim.
Todavia, uma quadrilha de petistas servidores da
CEPLAC, capitaneada pelo gangster e ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões (Cabeça
de Pitu), disseminou no sul da Bahia, a praga da vassoura-de-bruxa (1989–2000)
e instalou-se grande crise. A situação mudou radicalmente. A produção caiu de
400 mil toneladas para cerca de 96 mil toneladas no final dos anos 1990.
Centenas de fazendas foram à falência, desemprego em massa, pobreza e migração.
O impacto econômico foi gigantesco, com perdas superiores a 10 bilhões de dólares.
Nos últimos anos houve recuperação gradual. A Bahia
voltou a disputar a liderança nacional com o Pará, mas a produção está muito
abaixo do auge dos anos 1980, cerca de 139 mil toneladas, um terço do que
produzia no auge.
Há a crença de que a região pode estar caminhando
para um “segundo ciclo do cacau”, com destaque para pesquisas agrícolas
evoluírm consideravelmente e a Ceplac, apesar da perda do protagonismo, está desenvolvendo
clones de cacaueiro mais resistentes às pragas, sistemas de manejo mais
eficientes e técnicas de recuperação de áreas degradadas, permitindo aumentar a
produtividade.
Importante lembrar que a Bahia possui um diferencial
ambiental importante: o sistema cabruca. O cacau é cultivado sob a sombra da
Mata Atlântica, modelo de produção sustentável que preserva a floresta, protege
a biodiversidade, atende às exigências ambientais do mercado europeu e confere ao
cacau baiano vantagem competitiva.
Alguns estudos indicam que o Brasil poderia dobrar a
produção de cacau até 2035, alcançar 300 mil toneladas/ ano e voltar a ser um
dos principais produtores globais e recuperar o protagonismo no mercado
internacional. Ou seja, a Bahia e o Pará têm potencial para ampliar a produção,
e transformar o cacau em um dos pilares do agronegócio brasileiro.
Para que o sul da Bahia possa voltar a ter
protagonismo econômico e financeiro no país, é necessário que os produtores,
grandes e pequenos, trabalhem com afinco para a expansão da cacauicultura, com
apoio ostensivo de políticas públicas de assistência técnica e linhas de
crédito para investimentos e que o Plano Safra destine recursos específicos
para o setor.
Também é necessário que a Ceplac tenha orçamento
federal, reposição de pesquisadores, continuidade das pesquisas, e que as metas
do plano ‘Inova Cacau 2030’ não sejam negligenciadas. Também é precisa que o
Ministério da Agricultura proíba a entrada no Brasil do cacau africano sem ser
tratado com substâncias eficazes no combate a pragas e doenças presentes em
território africano e promover políticas de preço mínimo e mecanismos de proteção
contra a volatilidade do mercado internacional, assegurando renda mínima ao
produtor, em sua maioria agricultores familiares.
A Bahia tem no cacau não só uma tradição, mas uma oportunidade concreta de desenvolvimento sustentável. E o Brasil precisa decidir se continuará sendo um importador de um produto que pode produzir com excelência, ou se voltará a assumir o protagonismo que sua história e seu imenso potencial permitem. Também é fundamental integrar a cacauicultura à agenda ambiental e climática, reconhecendo e remunerando os serviços ecossistêmicos prestados pelos sistemas agroflorestais.
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