A permanência do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas eleições de 2026 foi defendida com tom de advertência pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, principal nome do MDB no Estado. Em entrevista à rádio CBN Salvador, nesta sexta-feira (6), o cacique afirmou que o partido não aceitará ser desrespeitado nas negociações da chapa majoritária.
Segundo Geddel, o MDB tem peso político e histórico
suficientes para manter o espaço atualmente ocupado pelo vice-governador. O
emedebista ressaltou que a base aliada precisa manter a unidade para vencer a
eleição, mas deixou claro que essa unidade não pode ocorrer às custas do enfraquecimento
da legenda.
“Nós precisamos de unidade para vencer a eleição. O
MDB sabe o papel que tem nessa aliança e terá, salvo se tentarem humilhá-lo ou
diminuir a dimensão que esse partido tem na história da Bahia”, declarou.
Durante a entrevista, o ex-ministro também relembrou
episódios de crise dentro do grupo governista para reforçar que o MDB
permaneceu ao lado da aliança mesmo em momentos delicados. Ele citou o rompimento
do Progressistas (PP), que resultou na saída do então vice-governador João
Leão, como um dos períodos mais tensos da base.
“Corremos todos os riscos no momento de dificuldade
da aliança. Havia existido o rompimento do PP, saiu o vice-governador à época,
João Leão, e havia essa dificuldade”, afirmou.
Segundo Geddel, naquele cenário o MDB decidiu manter
a aliança após um chamado do senador Jaques Wagner, com quem mantém relação
política construída ao longo de anos de atuação no Congresso Nacional.
“Nós acatamos o chamamento de Wagner na relação que
temos”, disse. Geddel destacou ainda a trajetória política compartilhada com o
senador petista para reforçar a existência de confiança e compromisso entre os
dois. “Fui colega de Wagner, fomos
líderes durante muitos anos no Congresso Nacional. Vivi 20 anos no Congresso,
liderei a bancada do maior partido do Brasil durante sete anos”, lembrou.
Ao final da entrevista, o emedebista afirmou que a
história construída ao longo de décadas na política impede qualquer ruptura
baseada em desconfiança ou quebra de palavra. “A essa altura da vida, na idade
que eu estou e na idade que Wagner está, não é agora que vamos rasgar a nossa
história de honrar compromissos”, frisou.
Apesar do recado firme dirigido às discussões
internas da base, Geddel também fez um gesto de afago ao ministro da Casa
Civil, Rui Costa (PT), que é pré-candidato ao Senado na chapa puro-sangue.
Segundo ele, o ex-governador é um “quadro qualificado” e um “ministro atuante”.
A declaração de Geddel ocorre uma semana após ele publicar nas redes sociais sua torcida para eleição de Jaques Wagner e de citar, inclusive, a atuação de Angelo Coronel (PSD), alijado da chapa justamente para abrigar Rui Costa. Na publicação em questão, ele não fez qualquer menção ao ministro da Casa Civil.

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