Em ano de eleição levanta-se a questão da ética e das opostas diferenças entre o discurso e a prática dos políticos. Numa análise fria e em comparativo com o não muito distante passado, parece que o tempo dos coronéis do voto chegou ao fim. No entanto, mesmo com a falência deles, ainda sobrevive no corpo social algum fogo de monturo de antigas fogueiras, que teima em resistir às mudanças de costume. São os candidatos obsoletos com suas ideias ultrapassadas.
São grupos predadores que relutam em desaparecer.
Tais múmias ou tais dinossauros, ainda conseguem muita coisa à custa da
demagogia e da força convincente do dinheiro. Fazem da verbosidade uma arma e
do poder material um artifício de convencimento. No dia a dia das campanhas,
assemelham-se mais a camelôs que propriamente a políticos. Não passam de velhos
fornecedores de quinquilharias eleitorais, bruxos endiabrados que permanecem
usando antigas fórmulas de aliciamento na pretensão de transformarem dentaduras
e caixões de defunto em voto.
Já é tempo de sabermos distinguir um candidato sério
de um desalmado caçador de votos. O verdadeiro candidato não estupra a
consciência alheia. O caçador de votos na ânsia de angariar as benesses das
urnas, é capaz de prometer o vermelho ao eleitor que estiver de luto. Sai por
aí feito caixeiro-viajante, montado em confortáveis carrões pelos nosso
rincões, alguns até de helicóptero, distribuindo sabonetes e miçangas, comendo
farofa e bebendo pinga, arrotando humildade, prometendo escada-rolante do
inferno para o céu.
O mandato político como é do conhecimento de todos,
não é brincadeira nem um faz-de-conta, mas um vínculo entre um cidadão e aquele
que o representa no Poder. Não se trata mais de emprego para si nem para os
seus. É muito mais uma investida de deveres e obrigações. A missão política é
tão nobre que não deve ser atribuída a pessoa desvinculada do social. Quem não
assume compromisso com a coisa pública é melhor permanecer anônimo na privada,
sob pena de cair, nos dias de hoje, no escárnio popular.
A era dos tolos e dos patos está passando. Ninguém
mais suporta a dissimulação dos políticos sórdidos e maquiavélicos. Que eles
arrumem suas trouxas ou ponham no saco as suas violas, que os tempos são
outros. O gênio de Nicolau Maquiavel, atualmente, deve ficar restrito, apenas,
aos estudos acadêmicos.
O autor de “O Príncipe”, embora universal, deve ser
reconsiderado como conselheiro político para os políticos da contemporaneidade
brasileira e especialmente, baiana. Endeusá-lo nos dias de hoje, é fomentar
ideias antigas de sagacidade que o nosso século irá fatalmente descartar.
Os novos tempos desdenharão os hipócritas. Dito isso, sejamos doravante mais coerentes com nossas ações como eleitores e comecemos a pensar em alijar os caçadores de voto enganadores. A manifestação popular mais eficaz e que expressa a indignação, é o voto no dia da eleição.

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