Cercado por centenas de auxiliares que o idolatram no universo dos palácios de Brasília, Lula passou a acreditar que é uma figura com um carisma do tamanho do Carnaval na Sapucaí. O petista caminha para sua última eleição. Nesses momentos finais, a prudência costuma ser uma das últimas virtudes a gritar. A obra já foi feita. O que virá passa a importar menos, ainda que seja um epílogo com risco real de derrota nas urnas.
Lula
comanda um governo que direcionou verba milionária ao desfile da Acadêmicos de
Niterói. A escola de samba fará um desfile inteiro em homenagem ao petista.
Como é característico, nestas sessões de bajulação política, só as partes,
digamos, nobres serão levadas à avenida. Os erros e escândalos desse e de
outros governos não terão carro alegórico na passarela.
Ao
acreditar no julgamento do universo paralelo dos palácios, Lula se deixou expor
numa arena incontrolável. Acostumado a falar para plateias de petistas
escolhidos a dedo por aliados nos estados, onde todo mundo é revistado e
checado pelo GSI antes de integrar a claque, passará pelo teste da Sapucaí de
peito aberto. É possível que todos os ingressos distribuídos pela Acadêmicos de
Niterói sejam para petistas, mas há outras escolas e todo tipo de eleitor no
Carnaval.
Nunca
tantos bolsonaristas se mobilizaram para acompanhar um desfile. A vaia é um
risco real. Há método na bajulação petista e ainda mais planejamento nos atos
bolsonaristas. Lula não vai passar pela Sapucaí incólume, mas aposta que a
conta de apoiadores na arquibancada será superior ao número de foliões que
rejeitam seu governo.
Essa imprevisibilidade é o que tira o sono de aliados palacianos com pé na realidade. “O ano começou bem, com pesquisas mostrando o peso do que foi feito no governo, nas políticas sociais. Não precisava disso”, diz um auxiliar palaciano do petista.

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