Natal Itabuna

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Trief

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16 de fevereiro de 2026

MEU PEITO DOEU, PELO MESMO MOTIVO QUE O SEU DOERIA!

 

É humano e Cristão a gente estender nossas mãos, para pessoas fragilizadas, esfomeadas e maltrapilhas, que não tem com quem contar!

Eu estava andando pela avenida Porto Seguro em Eunápolis, quando me deparei com uma cena que me comoveu profundamente e me deixou com um sentimento desconfortável e de indignação. Vi uma garota aparentando ter uns 12 anos de idade, debruçada sobre uma lata de lixo, contendo restos de alimentos e em determinado momento a vi levando à boca, resto de um sanduíche.

    Me doeu bastante aquela cena, mas não tanto quanto o que fiz: depois de testemunhar aquela situação degradante: simplesmente dei às costas e fui embora. A ficha só caiu quando cheguei em minha casa e depois de alguns afazeres, me acomodei em minha cama confortável e com frutas sob minha disposição, passei a assistir um filme de ação. Mas logo minha mente me fez sentir algo incômodo em meu âmago, quando lembrei da garota comendo lixo!

    Assim, no início do filme perdi a vontade de continuar o assistindo. Não que o filme não fosse bom. Mas eu não consegui me ater ao que assistia. Minha mente só conseguia enxergar a cena da garotinha catando lixo para se alimentar. Fiquei triste e com um “nó na garganta”! Passei a fazer indagações irrequietas a mim mesmo. O que deixei de fazer? O que eu poderia ter feito? Como será o futuro daquela criança? Será que ela terá comida antes de dormir? O que fazem seus pais para que ela não esteja tão vulnerável? E que país é este, que tem crianças se alimentando de lixo?

    Não estou me perdoando por não ter feito algo além de apenas observar aquela pobre menina buscando alimento entre dejetos, objetos fétidos e alimentos estragados. Me culpo por não ter me aproximado e oferecido uma refeição, ou lanche fresco e saudável. Eu podia saber sobre os motivos que a fizeram está submetida aquela situação; quem eram e onde estavam seus pais e encaminhá-la aos serviços públicos de assistência social.

    Eu poderia ter conduzido aquela criaturinha para uma abrigo, a uma igreja, ao Conselho Tutelar, a Vara da Infância... mas eu só fiz olhar; seguir viagem e somente me preocupar com aquele drama social, depois que eu já estava no conforto do meu lar. Mas eu não voltei para tentar rever aquela menina. Anoiteceu e com a ela veio o peso da consciência e a insônia.

    Nunca mais vou passar indiferente à situação de uma criança disputando comida com insetos, baratas e vermes. Não mais me permitirei tamanha insensibilidade. E o que mais me motiva escrever este fato, é pedir que meus leitores nunca deixem uma criança faminta e maltrapilha, sem sua atenção e amparo humanitário.

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