Neste fascinante capítulo da nossa história política, somos espectadores de uma trama complexa, na qual o Partido dos Trabalhadores (PT) emerge como protagonista de um enredo que, por vezes, assemelha-se a um conto de fadas distorcido. Apesar dos escândalos e falhas evidentes, uma fração do eleitorado permanece cativa de um partido que não apenas se recusa reconhecer seus erros, mas audaciosamente se apresenta como a cura para os males que ele próprio perpetua. Estamos diante da dramática encenação da Síndrome de Estocolmo Eleitoral.
Neste enredo envolvente, o ilusionismo político tece
um palco onde os votantes são mantidos em cativeiro emocional, encantados por
promessas que se revelam efémeras. Como personagens principais, os eleitores
tornam-se reféns de um partido que, apesar dos escândalos e críticas, parece
exercer um domínio inexplicável sobre sua lealdade. A metáfora da Síndrome de
Estocolmo Eleitoral ganha vida, pois os votantes identificam-se com o opressor,
defendendo-o mesmo quando as evidências sugerem o contrário.
Num país onde a mudança é proclamada como essencial,
é desconcertante perceber que, ao invés de abraçar novas possibilidades, o
eleitorado permanece cativo de um partido que se autodenomina como a panaceia
para os males que ele mesmo fomenta. Como numa dança hipnótica, o PT
apresenta-se como a única salvação, uma espécie de herói que surge para
corrigir os próprios erros, enquanto o eleitorado, enredado numa relação
tóxica, anseia por redenção.
Os fatos recentemente de tentativa de endeusamento
de Lula no sambódromo, tornam-se episódios simbólicos desta síndrome eleitoral.
É como se os eleitores, mesmo conscientes das falhas do partido, optassem por
manter uma relação de dependência, como se a mudança fosse mais assustadora do
que a continuidade das desilusões conhecidas.
Analogamente, a confiança cega no PT assemelha-se a
um roteiro onde os eleitores, desempenhando o papel de vítimas, permanecem
obstinadamente ligados ao opressor. Os escândalos de corrupção e o histórico de
roubalheira do erário, tornam-se os grilhões emocionais que mantêm os eleitores
numa relação paradoxal, onde a crença na redenção do partido parece mais forte
do que a evidência palpável dos seus erros.
Embora o Sistema Nacional de Saúde sofra com a
crónica falta de investimento e o país enfrente desafios econômicos, segurança
e habitacionais, a Síndrome de Estocolmo Eleitoral persiste, criando um vínculo
peculiar entre o eleitorado e o partido no poder. Esta dinâmica, no entanto,
exige uma introspeção coletiva. A mudança real não pode ser prometida pelo
próprio ator que representa o problema.
É necessário, enquanto sociedade, desvendar os grilhões da dependência política, rompendo com a dança da sirene que nos aprisiona numa narrativa de redenção que, paradoxalmente, perpetua os males que procura remediar. Somente assim poderemos vislumbrar um futuro político verdadeiramente libertador e evitar o ciclo vicioso que nos mantém reféns de promessas vazias.

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