A “Caminhada pela Justiça e Liberdade” liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que segue pela BR-040 após ter saído de Paracatu (MG) com destino a Brasilia, desde a última segunda-feira (19), pode ser suspensa, caso a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acate o pedido do líder do PT na Câmara dos Deputados, deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e do deputado federal Rogério Correia (PT/MG), que protocolaram na quarta-feira (21) um pedido para impedir a continuidade do protesto.
Lindbergh Farias (PT/RJ) e Rogério Correia (PT/MG)
protocolaram um pedido na entidade policial sob alegação de risco à vida e à
integridade física das pessoas. A caminhada culminará em uma manifestação em
Brasília no domingo (25/1), que será realizada às 12h, na Praça do Cruzeiro. A
assessoria do deputado Nikolas Ferreira ironizou o que chamou de
"humor" do deputado Farias, e reinterou que a caminhada "é
constitucional, legal e absolutamente pacífica". Leia o conteúdo na
íntegra abaixo.
ARGUMENTOS DOS DEPUTADOS PETISTAS - A alegação dos
parlamentares é que trata-se de uma situação grave, inaceitável e irresponsável
de risco à vida e à integridade física das pessoas, com o redirecionamento da
“caminhada” ao longo da BR-040. “Está sendo realizada sem qualquer comunicação
prévia às autoridades competentes". “Eles podem se manifestar onde
quiserem, mas não podem colocar em risco a vida das pessoas. Façam essa
mobilização onde quiserem, mas não desse jeito, sem autorização e colocando
vidas em perigo”, afirma o deputado Lindbergh Farias.
Para os parlamentares a intervenção imediata não deve
ser configurada como censura nem cerceamento de opinião, pois manifestações
políticas fazem parte da democracia. Eles ainda pontuam que, “enquanto esse
tipo de sensacionalismo tenta chamar atenção, o governo e o Congresso estão
concentrados em pautas reais do povo brasileiro, como a isenção do Imposto de
Renda, o fim da escala 6x1 e a garantia de direitos para trabalhadores de
aplicativos”.
Além da apuração de responsabilidades, o pedido
requer a extração de cópias para a Polícia Federal, PGR, ANAC, DNIT e ANTT e
solicita medidas administrativas urgentes da PRF para suspender, restringir ou
redirecionar a caminhada, enquanto persistirem as condições de risco. “Alertar
não substitui agir”, reforçam.
No documento ao qual foi feito o pedido, ainda foi
fundamentado em normas do Código de Trânsito Brasileiro e da legislação de
aviação civil, que o suposto ato político, com adesão progressiva de
participantes, ocorre em rodovia federal de tráfego intenso, com uso indevido
do acostamento, invasão da pista de rolamento e até indícios de pouso de
helicópteros nas margens da rodovia, expondo motoristas, passageiros, moradores
das áreas lindeiras e os próprios participantes a risco real de acidentes
graves. Para os parlamentares, permitir a continuidade desse tipo de conduta
seria naturalizar a irresponsabilidade e a omissão do Estado diante de um
perigo anunciado.
POSIÇÃO DE NIKOLAS FERREIRA - Em resposta a
reportagem, a assessoria de Nikolas Ferreira pontuou que a caminhada "foi
comunicada às autoridades desde o primeiro dia". Leia a nota na íntegra: "É
curioso observar a mudança de humor do deputado Lindbergh Farias. Na
terça-feira, a caminhada para ele era motivo de deboche: “marcha esvaziada”.
Agora, subitamente, virou caso de urgência nacional que mereceria intervenção
da PRF.
Reitero aqui mais uma vez: a caminhada é
constitucional, legal e absolutamente pacífica. Foi comunicada às autoridades
desde o primeiro dia e não tem, nem terá, qualquer tolerância com vandalismo,
depredação ou desordem.
Tentar paralisar à força uma manifestação pacífica,
por divergência política, não é zelo institucional, é afronta à democracia e
violação direta da Constituição. O que incomoda, ao que parece, não é o risco
que ele alega ter, mas sim o movimento gigantesco que criamos. A caminhada
segue em paz e seguirá até o final, conforme já divulgado".
CAMINHADA PARA BRASÍLIA - Nikolas Ferreira chegou a
declarar na última quarta-feira (21) que além de cobrar justiça para o
ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso no Complexo Penitenciário da
Papuda, a mobilização busca denunciar injustiças e mobilizar a população contra
o que chama de escândalos sucessivos.
“A gente está lutando aqui pela liberdade dos presos do dia 8, pela liberdade também de Jair Bolsonaro e outras figuras, como Felipe Jair Martins e o Coronel Naime. Mas, acima de tudo, para acordar o povo brasileiro, que está cansado de tantos escândalos”, declarou. Segundo o deputado, a caminhada culminará em uma manifestação em Brasília no domingo (25), que será realizada às 12h, na Praça do Cruzeiro.
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