Osniesio Pereira Salomão, capitão da Polícia Militar da Bahia foi assassinado em Salvador, na noite da quinta-feira (15), ao reagir a uma tentativa de assalto e este é um drama longe de ser um fato isolado, como denunciam os dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que revela a Bahia com o segundo índice de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes (com 47,1), atrás somente do Amapá (que tem 50,6).
Além disso, Salvador é a segunda
capital mais violenta do país, com 66 mortes violentas intencionais (MVI) a
cada 100 mil habitantes, atrás apenas de Macapá (AP), com 70. Outros números
também confirmam o quadro de descontrole no enfrentamento à criminalidade no
estado.
Esses dados sobre a Bahia apenas comprovam
a falta de aplicação de recursos na segurança pública. A gente percebe que os
investimentos feitos não permitem dizer que o estado se preocupou em desenhar
algo de qualidade para a segurança pública.
É extensa a lista das dificuldades que
a segurança pública enfrenta na Bahia, como os baixos salários para os
profissionais do setor e a falta de capacitação. Até mesmo a localização
geográfica contribui para o quadro de descalabro na segurança pública no
estado. Há uma grande extensão de área rural e rodoviária, o que gera
dificuldades em exercer o patrulhamento nesse espaço.
Isso explicaria o avanço do crime
organizado na Bahia nos últimos anos, o que fez com que grupos vulneráveis,
como os condomínios do Minha Casa Minha Vida (MCMV), fiquem ainda mais
desprotegidos.
Em um momento em que essas mesmas
comunidades, já fragilizadas social e economicamente, começam a buscar a garantia
de alguns dos direitos (o que, culturalmente, não é comum em regiões da
periferia), a gente acaba tendo um desdobramento negativo.
MCMV é a parte mais visível do poder do crime organizado na Bahia,
com criminosos obrigando moradores a protegê-los sob ameaça de morte a quem não
seguir as regras das facções. Quando agentes da lei tentam entrar nessas áreas
(seja sob amparo da Justiça, seja por conta própria), a violência ganha tons
ainda mais fortes.
A Bahia sangra sob inércia do governo do estado, que administra o aparelho de segurança público com gastos maiores, que os aplicados em propaganda e imprensa em geral. Este fato faz os homicídios na Bahia, serem superiores aos registrados em São Paulo.

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