Discursos alinhados - Dos dois lados, governo e oposição, se viu um alinhamento nos discursos, sem falas divergentes entre os principais atores políticos. O governador Jerônimo Rodrigues (PT), que logo cedo chegou na Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, ponto de partida do cortejo, falou sobre as conversas recentes com Diego Coronel (PSD), filho do senador Angelo Coronel (PSD), e pregou que haja um consenso entre as forças políticas do PT e PSD, aliados históricos.
Considerado o principal articulador político do
grupo, o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola (PT), seguiu a
mesma linha do governador ao comentar sobre o tema.
A oposição também aderiu ao 'modelo' de resposta
padrão sobre os principais temas no cortejo. Pré-candidato ao governo, ACM Neto
(União Brasil) falou sobre renovação, assim como o prefeito Bruno Reis (União
Brasil), seu principal aliado.
CALOR HUMANO - A polarização que deve permear a
corrida eleitoral na Bahia foi sentida nas primeiras horas dos festejos. Ao
chegar no ponto de partida, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi aclamado
por aliados e apoiadores, mas também foi alvo da manifestação contrária dos
aliados e entusiastas de ACM Neto (União Brasil), seu principal adversário.
Durante o cortejo, Jerônimo foi parado por
admiradores e eleitores, tirando fotos e gravando vídeos. O governador também
foi cercado pelos aliados, entre secretários e parlamentares que serão
candidatos nas eleições de outubro.
A oposição também foi recebida entre aplausos e
vaias. Acompanhado do prefeito Bruno Reis (União Brasil), do ex-ministro João
Roma (PL), seu possível companheiro de chapa, e de Ronaldo Caiado (União
Brasil), pré-candidato ao Planalto, ACM Neto (União Brasil) testou sua
popularidade nas ruas, sendo também abordado por apoiadores.
"Dia maravilhoso. Para mim talvez seja o dia
mais especial, dia mais importante, energia que a gente sente a força do nosso
povo, da nossa fé, com o Senhor do Bonfim abraçando toda a nossa terra, todo o
nosso povo", destacou ACM Neto.
PALÁCIO DE ONDINA - Em meio às manifestações de fé,
a política se fez ainda mais presente no Bonfim. Dentro do grupo governista, os
principais questionamentos foram acerca da novela entre PT e PSD pelas duas
vagas para o Senado na chapa majoritária.
O teor da conversa entre Jerônimo Rodrigues e Diego
Coronel (PSD), filho de Angelo Coronel, que ocorreu na última quarta, 14,
despertou a curiosidade dos presentes. Ao comentar sobre, o governador afastou
os rumores de uma crise entre a base e o senador, que tem sido ventilado na
oposição.
Presente no Bonfim, Adolpho Loyola também garantiu a
manutenção da aliança histórica com o PSD, cravando também a construção de uma
chapa competitiva para enfrentar as urnas em outubro.
"A relação com o PSD está ótima, como sempre
esteve, não se abala, nossa relação com os partidos da base é sempre com muita
preocupação, com muito empenho e escuta, ontem foi mais um diálogo com o
deputado Diego Coronel, em uma conversa com o governador", afirmou o
secretário.
WAGNER PRESENTE - O senador Jaques Wagner (PT) se
fez presente na festa do Bonfim, participando do cortejo e atendendo seus
apoiadores e demais políticos presentes. O parlamentar petista, que é um dos
três nomes postos nas discussões sobre a disputa pelo Senado dentro do grupo
governista, admitiu que a lavagem, principalmente em ano eleitoral, é um
termômetro para testar a popularidade dos políticos.
"A festa do Senhor do Bonfim é a abertura das
festas religiosas. Este ano é um ano eleitoral, então, esquenta um pouco, as
torcidas organizadas. [...]. Se torna um termômetro de quem organiza melhor a
torcida", afirmou.
AUSÊNCIAS SENTIDAS - As duas pontas restante do
complexo 'triângulo' dos pré-candidatos ao Senado, Rui Costa (PT) e Angelo
Coronel (PSD), foram na contramão de Wagner, ficando fora dos festejos.
As ausências foram sentidas e comentadas. Rui, que
nas últimas semanas tem intensificado suas agendas na capital baiana, em
estratégia que busca fortalecer seu nome na chapa, preferiu não 'colocar o
bloco na rua'.
Já Coronel, que chegou a confirmar ao Portal A TARDE
que estaria presente no cortejo, mandou um 'time', que contava com camisas
personalizadas, mas evitou testar sua popularidade em um momento de
estremecimento das relações com o bloco governista.
A ausência, segundo nomes ouvidos pelo Portal A
TARDE, pode ter sido uma tentativa de evitar novos problemas. A indefinição do
seu destino político às vésperas da escolha das chapas de ambos os lados, como
tem se desenhado, aumenta as chances do parlamentar ser preterido pelos dois
grupos.
E A VICE? - Atual vice-governador da Bahia, Geraldo
Júnior (MDB) aproveitou o momento para reforçar seu desejo de permanecer, junto
ao MDB, no posto ocupado. A tendência, segundo apuração recente do Portal A
TARDE, é que o emedebista não seja atingido pelas negociações entre PT e PSD,
permanecendo no posto.
"Nós vamos aguardar o tempo certo. Nós temos um
líder político, que é o governador Jerônimo Rodrigues", afirmou.
OPOSIÇÃO - A oposição chegou com o discurso afiado
de crença em renovação política e margem para uma virada nas urnas. ACM Neto,
que tem se colocado como candidato ao governo dentro do grupo, foi o primeiro a
se manifestar sobre, durante conversa com a imprensa, antes da saída dos
blocos.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil),
afirmou acreditar em uma disputa polarizada, diferente da eleição municipal de
2024, quando ele foi reeleito com ampla margem para os demais candidatos.
"Por incrível que pareça, 2026 é mais acirrado
que 2024. Eu acho que é porque em 2024 o cenário estava mais claro, mais
definido. Eu iniciei o ano de 2024 com quase 70% das pesquisas, não tinha nem
um adversário definido”, afirmou o prefeito.
PRESENÇA DE CAIADO - Pré-candidato ao Palácio do
Planalto pelo União Brasil, Ronaldo Caiado usou as ruas da Cidade Baixo para
medir sua popularidade diante dos eleitores baianos. Aos gritos de "meu
presidente" por parte de apoiadores, o político, que já concorreu à
presidência em 1989, reafirmou seu desejo de levar a campanha até o fim.
Caiado também recebeu de Neto e Bruno Reis a
sinalização de apoio, caso permaneça na corrida. Os acenos são vistos como
importantes para fortalecer sua pré-candidatura, em um momento em que uma
aliança em torno de Flávio Bolsonaro (PL) é vista como uma opção viável.
ELEIÇÕES 2026 - A Bahia escolherá no dia 4 de
outubro (caso não tenha segundo turno) o nome do próximo governador do estado.
A disputa, que deve ser novamente protagonizada por Jerônimo Rodrigues (PT),
atual detentor do posto, e ACM Neto (União Brasil), tem quatro pré-candidatos.
Pré-candidatos ao governo da Bahia
Jerônimo Rodrigues (PT)
ACM Neto (União Brasil)
José Carlos Aleluia (Novo)
Ronaldo Mansur (Psol)
(Portal A TARDE).
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