Em "Caviar", Zeca Pagodinho usa o refrão repetido “Nunca vi... eu só ouço falar” para destacar, de forma bem-humorada, a distância entre a vida simples da maioria das pessoas e os luxos reservados a poucos, como o próprio caviar.
O prato vira símbolo do que é
inalcançável para quem está acostumado com “ovo frito, farofa e torresmo”,
mostrando que, para muitos, certos luxos só existem no imaginário ou nas
conversas alheias. Essa comparação direta entre o cotidiano simples e o
sofisticado reforça a crítica social presente na música, especialmente quando
Zeca canta “Mas se olhar pro lado depara com a fome”, evidenciando a
desigualdade e a fome que ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas.
Esse contexto dá ainda mais peso
à ironia da letra, que prefere rir da desigualdade do que se amargar. Ao mesmo
tempo, a música revela uma mistura de resignação e esperança, como no verso “Um
dia eu acerto numa loteria e dessa iguaria até posso provar”, mostrando o sonho
de ascensão social.
No fim, "Caviar" é um
retrato divertido e certeiro das diferenças sociais a que está submetida nossa
gente, usando o humor para tratar de um tema sério e cotidiano; fato que também
nos credencia a recorrer a este mesmo humor, para retratar o glamour de ser
deputada estadual com luxo e salário de marani, contrastando com a realidade da
maioria do seu eleitorado, que não a ver, mas que logo verá!
É neste contexto, que consideramos a “deputada estadual” Cláudia Oliveira (PSD), sob condição de algo similar a caviar: cara por ganhar salário de marani e não corresponder à expectativa de bom resultado parlamentar; rara por ser fictícia na Assembleia Legislativa da Bahia (é quem menos usa a tribuna – chamada de mudinha por colegas) e equidistante da realidade do povo pobre, por aparecer apenas em períodos eleitorais! Por estes fatos, é que ela já está sendo estigmatizada com sendo “Cláudia Caviar”!

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