A política local virou um grande supermercado das siglas. Nas gôndolas, amontoam-se embalagens diferentes para o mesmo conteúdo: ambições, vaidades, sobrevivência política e tentativas de ressuscitar trajetórias já vencidas.
As
prateleiras estão abarrotadas das famosas “letrinhas” partidárias, que mais
confundem do que esclarecem. São rótulos que deveriam sinalizar identidade, mas
se multiplicam sem qualquer coerência, respeito ou unidade. Mesmo brotando da
mesma árvore e compartilhando a mesma fotossíntese, não hesitam em se agredir,
como galhos que disputam a luz sem perceber que pertencem ao mesmo tronco.
Funciona
tudo na lógica da procura e da oferta:
·
Slogans
prontos em promoção.
·
Alianças
descartáveis em embalagens de ocasião.
·
Lealdades
vendidas em combos relâmpago.
·
Princípios
próximos do vencimento.
No
caixa, cada produto político vale conforme a conveniência do momento. Coerência
raramente tem comprador; dignidade, quase nunca encontra espaço no estoque.
O supermercado das siglas permanece aberto 24 horas, alimentando tanto a fome de poder de uns quanto a necessidade de ressuscitar carreiras de outros. Resultado: muito barulho de propaganda, pouco conteúdo que alimente a esperança coletiva. Por Eugênio de Abreu.
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