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19 de janeiro de 2022

CHEGA DE TANTA INTOLERÂNCIA NO BRASIL

Ninguém tem direito de te impor uma cor que não lhe convém!

Nelson Mandela passou 27 anos preso, em represália pela sua luta contra o Apartheid na África do Sul. Após deixar cadeia tornou-se presidente do país. Todos esperavam que sua postura seria de retaliação, vingança contra os brancos que por tanto tempo oprimiram o povo negro. Mas ele fez o inverso, resolveu unir o país: “o perdão liberta a alma, faz desaparecer o medo. Como se não bastasse, promoveu encontros entre vítimas e algozes naquilo que ficou conhecido como a justiça restaurativa. Um exemplo para o mundo que resultou no Nobel da Paz, em 1993.

As pessoas, simplesmente, não estão sendo capazes de ouvir, de respeitar opiniões contrárias. Erguem um muro para impedir que o diálogo acabe por fazê-las tolerantes. Nas redes sociais, ideias extremistas são exaltadas e qualquer contestação leva ao escárnio. Isso é preocupante num ano em que vamos renovar o Congresso e eleger um novo presidente da República. Como sairemos dessas eleições é uma incógnita, mas se desde agora não buscarmos o caminho da tolerância, provavelmente estaremos fadados a ver a democracia ruir.

O Brasil sempre foi cordial, seu povo é exaltado por outras nações pela simpatia. Como então estamos mergulhando numa espiral de ódio? Minorias agredidas, gente sendo morta apenas por ser diferente, pensar diferente. Manifestações reprimidas, professores escorraçados, mulheres acuadas pela sanha machista, tudo em nome de uma pretensa purgação moral, como se um grupo decidisse que liberdade, igualdade, fraternidade fossem coisas demoníacas. A justiça restaurativa vem como um sopro de esperança nesse momento de desalento. Por que a vingança e não o perdão?

O exemplo de Nelson Mandela é a prova de que não é vergonhoso perdoar. Isso ficou claro no filme Invictus, que mostrou esforço que ele fez para levar os negros a torcerem por um time de rúgbi formado, na maioria, por brancos. Era a seleção do país, não deveria haver discriminação. Venceu, não porque impôs seu pensamento, mas porque foi convincente. Precisamos disso no Brasil de hoje. Menos mortes e mais compaixão.

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