Trief

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11 de fevereiro de 2011

MORTES NAS ESTRADAS CRESCERAM 28%

Em 2010, as estradas federais que cortam a Bahia registraram 810 mortes. O número de acidentes fatais é 28% a mais do que o verificado em 2009, quando 631 pessoas perderam a vida em ocorrências nas rodovias federais baianas. Com o objetivo de buscar soluções para este problema, a Superitendência da Polícia Rodoviária Federal no estado resolveu inovar no seu planejamento estratégico para este ano, ouvindo entidades públicas e privadas que frequentam estradas. O debate aconteceu ontem e prossegue hoje, na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), abordando as condições das estradas, uso de drogas por profissionais de transporte de cargas, prostituição infantil, estrutura da PRF, entre outros temas. O superintendente da Polícia Rodoviária, Antônio Jorge Barbosa, relata que a corporação conta com apenas 600 agentes. “É o mesmo número de 1980, quando tínhamos um terço das rodovias atuais e um quinto dos veículos. No crime organizado, o Comando Vermelho estava começando. Hoje as organizações criminosas estão em todos os lugares”, argumentou. O aumento do efetivo também foi requerido pelo presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Sindcam/BA), Fernando Lucena. “Ando muitas vezes 200, 300 quilômetros na estrada e não vejo uma viatura. Ver os policiais fardados para nós é uma segurança", disse. Noticiado em manchete por esta Tribuna na edição de ontem, a suspensão dos concursos por parte do governo federal inviabiliza, num primeiro momento, o pleito de policiais rodoviários e caminhoneiros. “Se o governo decidiu assim, deve ter seus motivos, os quais desconheço”, contemporizou o superintendente. O inspetor Antônio Jorge aposta também na busca de soluções alternativas, citando a conscientização da população. “Uma simples falta de atenção e um excesso de pressa pode nos tirar de um combate a criminosos”, advertiu o superintendente. Segundo Antônio Jorge Barbosa, a elevação no número de crimes fez com que a Polícia Rodoviária Federal também atuasse no policiamento ostensivo. “No ano passado, um terço da apreensão de drogas feita no Brasil foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal”. Nas estradas brasileiras, as chamadas “drogas lícitas” por vezes geram mais preocupação do que as ilegais. Em 2010, a PRF apreendeu 121 milhões de unidades de arrebite, substância comumente consumida por caminhoneiros para poderem viajar de madrugada. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado da Bahia (Setceb), Dagmar Martins, defende a adoção de normais mais rígidas sobre o transporte de cargas, autônomo ou por empresa. Rodovias em péssimo estado - “O caminhoneiro precisa se conscientizar que ele pode trabalhar à noite, desde que descanse durante o dia. O que me preocupa é esta ganância de sempre estar com pressa que coloca em risco a vida humana”, alegou. O empresário reivindicou ainda melhoria nas estradas, identificando condições mais satisfatórias apenas nas pedagiadas. “As demais também foram reformadas. O DNIT tem feito o possível, mas ainda é insuficiente”. Para Martins, o transporte com segurança exige pelo menos pavimento em boas condições e rodovias bem sinalizadas. Representando justamente os autônomos, Fernando Lucena informou que o Sindicam/BA apoia a normatização dos transportes de cargas. O caminhoneiro sustenta que a pressa e as longas jornadas ao volante decorrem dos prazos estabelecidos pelas contratantes. “Fazer daqui para São Paulo em 36 horas, 48 horas é impossível”, bradou. Lucena avalia que o transportador autônomo não pode se colocar como vítima, pois aceita o trabalho, mas não tem outra opção. O valor do frete, segundo ele, também está baixo. Prostituição infantil - Por outro lado, o dirigente do Sindicam cobrou ação mais rigorosa com contra a prostituição infantil. “Em casos de abuso sexual, não basta levar a menor para uma casa albergada. O motorista tem que ser detido. É um mau colega. Passar três, quatro dias preso para ter prejuízo. Se for de transportadora, perderá o emprego; se for autônomo, o cliente não o contratará mais”, ressaltou. Lucena contou já ter visto crianças de 3 ou 5 anos em cabines de caminhão. O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Salvador, Carlos Alberto Ramos Dias (Assanhaço), atacou o problema do transporte clandestino, propondo que todo táxi que passe nas barreiras da PRF sejam abordados. “Tem muito marginal travestido de taxista”, alertou. Assanhaço também reclamou da atuação da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), que estaria apreendendo táxis que fazem o transporte interestadual de passageiros. “O Código de Trânsito Brasileiro nos dá este direito. Eu posso transportar pessoas para outros estados. O que não posso é circular lá pegando passageiro”, disse. O taxista destacou que se houvesse ilegalidade caberia a PRF atuar, e não o órgão estadual. (Adriano Villela).

4 comentários:

  1. Até quando esses acidentes vão continuar sem as pessoas se manifestarem contra as péssimas condições das nossas estradas... e elas também devem ter cosciência sobre a prudencia que cabe a todos quando estiverem dirigindo. Daniel Lopes

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  2. O limite de velocidade é uma das causas que fazem muitas pessoas perderem suas vidas!!! É uma pena, jovens estão morrendo por motivos que poderiam ser controlados!!

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  3. Infelismente, o ser humano só aprende as coisas quando passam por situações de perigo...Mas, nem sempre tem a chance de aprender a tempo, não espere acontecer o pior para você se concientizar dos perigos da vida!

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  4. Paulo Roberto14 fevereiro, 2011

    Infelizmente os jovens são imprudentes e pensam que nada acontece com eles e que usar cinto de segurança é uma bobagem e dirigir em alta velocidade é o máximo,mas não pensam que a imprudência póde levar a morte e na maioria das vezes não leva só a sua vida e sim dos demais que estão junto com ele e que o sofrimento é muito para os que ficam.

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