A natureza nos brinda com a metamorfose da asquerosa
lagarta que se transforma em formosa Borboleta. Mas nas eleições o que ocorre é
o inverso: borboleta viram lagartas!
A transformação de uma lagarta em borboleta é de exemplar riqueza poética e estética. A lagarta é feia, a borboleta bonita; a lagarta se arrasta sobre o próprio ventre, a borboleta esvoaça livre; a lagarta se esconde, a borboleta domina o cenário com sua irrequieta presença. Mas a lagarta e a borboleta não têm escolha: aquela não pode deixar de evoluir; esta não pode regredir.
Já
o homem e a mulher nascem como obras-primas de Deus, mas têm a faculdade de
eleger para si mesmos o destino das lagartas. E creio que nunca como nestes
tempos tais escolhas se fizeram de modo tão radicais; jamais, para inteiro
descrédito da borboleta, se exaltou tanto a lagarta que existe em nós! A
virtude é varrida para baixo dos tapetes e as degradações exibidas no alto dos
telhados.
Dezenas
de centenas e milhares de eleitores vão às urnas eletrônicas para votar (e
alguns pagam para fazer isso em tempo integral) a mediocridade e a inutilidade
de um grupo de atoleimados fazendo e dizendo nada que preste, com o despautério
de promessas que não podem ser cumpridas. É a notoriedade das lagartas.
A
mentira é outra das muitas faces dessa metamorfose às avessas. Políticos “falsos
profetas” sentam-se na Assembleia Legislativo da Bahia (Alba) à serviço de
interesses inconfessáveis; os “chapados” da ignorância elegem e reelegem
candidatos inúteis, parasitas e medíocres. Cédulas de 100 e 200 reais levam
multidões de pessoas aos atos de campanha, berrando músicas e clichês que são
cantos à caretice das borboletas.
Nas
eleições de 2022 o povo do extremo sul da Bahia, principalmente de Eunápolis e
Porto Seguro, cometeu o despautério e cúmulo do absurdo, de eleger a deputada
estadual, Cláudia Oliveira (PSD), com apoios e votos de quem não gostava do
ex-prefeito eunapolitano e Jânio Natal, Prefeito de Porto Seguro, para logo
após vê-la “virar lagarta” e parasita na Alba.
Essa mesma lagarta foi investigada, denunciada, processada e encarcerada, sob acusação de ter pertencido a uma quadrilha que roubou mais de 200 milhões de reais dos cofres públicos municipais. E nestas duas situações, a lagarta não se transformou numa borboleta... a borboleta virou lagarta.
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