23 de fevereiro de 2017

JÁ É CARNAVAL... COM SUAS CONSEQUÊNCIAS!

A alegria do  carnaval nem sempre resulta em felicidade posterior
Se você faz parte do grupo de foliões que já possui ou está iniciando negócios relacionados ao Carnaval, ótimo; pois o bloco literalmente já está na rua, chegou a hora de fazer acontecer e mostrar o seu valor. Boa sorte e sucesso! Agora, se você faz parte do grupo de foliões que vive no modo stand-by, que gosta de repetir que “as coisas no Brasil só começam a funcionar depois do Carnaval” e que “delega” o seu futuro nas mãos dos outros, não se surpreenda se este “ano novo” não for muito diferente ou até pior do que o ano que se passou. – Pô, Val Cabral, que papo agourento logo agora, hein? Sai para lá porque eu quero é cair na folia! Mas é claro! Vai lá, caia na folia com gosto para depois cair na real, no mínimo, de ânimo renovado. Afinal, não é mau agouro algum, mas sim a triste realidade dos fatos. O mundo é mau e, a não ser que você mame nas tetas desta entidade chamada Brasil (e, dependendo da forma, a cadeia lhe espera de braços abertos), você terá que arregaçar as mangas, suar a camisa e ir à luta ao invés de ficar vendo a vida passar no facebook à espera de uma intervenção divina que, infelizmente, é bastante improvável que aconteça. Sem querer atravessar o samba, você por acaso já percebeu que na avenida de 2017 o bloco de janeiro já passou e o de fevereiro também já está quase no final do desfile? E aí? Parafraseando as musiquinhas natalinas, que também já passaram nesta mesma avenida, diz aí: o que você fez? Se engasgar com a resposta, não tem problema. Pega lá aquela listinha de resoluções para 2017 que você montou todo empolgado no final do ano passado, e que provavelmente até se esqueceu onde a colocou e veja se já deu para riscar alguma coisa. Ainda não? Pelo menos tinha algo que a meta era estar pronto até o carnaval? Então, ainda dá tempo – acelera aí! O mais importante é que, juntamente com o suor, confetes e serpentinas, você deixe também de uma vez por todas lá na avenida essa mentalidade de ficar esperando por essas datas marcantes no calendário como se elas por si só tivessem o poder mágico de resolver alguma coisa na sua vida, mas aí sou obrigado a antecipar que você irá esperar sentadinho que nada irá acontecer. Sim, eu sei que quem espera sempre alcança, mas desde que tenha plantado alguma coisa e siga cuidando com carinho da sua plantação, não é mesmo? Agora, se a sua horta está vazia, de que adianta rezar para chover? Só para molhar a terra? Então, passada a ressaca, deixe de andar com o piloto automático ligado vendo a vida, o carnaval e os governos passarem, pois essa atitude que te leva a fazer o impossível para passar o carnaval seja lá onde for e ser feliz por apenas quatro dias, é a mesma que te moverá para conquistar objetivos mais relevantes e ser feliz por bem mais tempo que isso. A decisão, assim como os confetes e as serpentinas, estão na sua mão; mas, ao contrário das duas últimas, não a jogue fora mais uma vez, ok? Forte abraço e um ótimo carnaval!

AS RELAÇÕES ENTRE PÚBLICO E PRIVADO SÃO PROMÍSCUAS E PREJUDICIAIS AO PÚBLICO


Operação Lava Jato: Abraço de afogado envolve Lula
Um pesquisador colhendo dados para sua pesquisa na rodoviária de Itabuna, perguntava as pessoas que por ali passavam em que tipo de sociedade elas gostariam de viver. Todos responderam unânimes que gostariam de viver em uma sociedade sem corrupção. Refletir sobre essa resposta buscando verificar se isso é possível na atual conjuntura em que vivemos representa algo necessário e urgente. Hoje no Brasil as relações entre política e empresas demonstram que esse ideal de viver em uma sociedade sem corrupção pode se tornar cada vez mais um ideal sem ressonância para a vida prática do processo coletivo. O crescente descompasso entre a esfera pública e a esfera privada demonstrando que nessas relações não podemos cair nas tiranias da intimidade. As empresas que de um lado representam o lucro privado e os interesses individuais se contrapõem a política que deve representar os interesses de uma sociedade. O fato é que essa relação entre política e empresas pode se tornar em pesadelo quando não se tem o devido discernimento entre uma coisa e outra, e para que ambas possam caminhar juntas sem se hostilizarem é necessário que o homem público ressurja e que o interesse particular das empresas não domine a esfera pública. Nesse sentido, a pergunta do pesquisador na rodoviária nos mostra uma evidencia nas respostas dos entrevistados, viver em uma sociedade sem corrupção urge como clamor de uma sociedade que almeja experimentar relações mais justas e equitativa e isso passa pela vida política, por uma esfera pública de forma irremediável. É nesse particular aspecto que esbarra-se o problema de uma sociedade viver sem a chaga da corrupção, pois, as empresas guiadas pela lógica do capital é claro são guiadas para viverem mergulhadas em si mesmas, em seus lucros onde o destino de outros lhes é indiferente, nelas não há espaço para que predomine um sentido de sociedade em suas ações e decisões e sim um sentido de mercado. Mas a esfera pública diferentemente disso existe por um sentido outro, um sentido maior e tem concordância com a existência de um sentido de sociedade, de não se colocar como estranho ao destino do outro, há o predomínio dos interesses coletivos de uma política maior e mais ampla que deve levar em conta o destino dos demais. Chegamos assim a um ponto fundamental nesse clamor implícito nas respostas dos passageiros da Rodoviária de Itabuna por uma sociedade sem corrupção que envolve governantes, e administradores que precisam gerir a vida pública sem as mazelas da corrupção, ou seja, bastava apenas que nossos representantes e administradores públicos governassem levando em conta um sentido de sociedade em suas ações, decisões e planejamentos. Bastava apenas que os papeis públicos legitimados a juízes, políticos, presidentes, governadores e prefeitos adquirissem um toque a mais de coisa pública de um sentido mais profundo de sociedade na condução de seus pleitos que lhes foram confiados pelo processo democrático. Uma sociedade sem corrupção se consolida, portanto, a partir de uma compreensão, de um entendimento a cerca disso, e que para muitos representantes públicos isso parece não ter nenhum significado. Na vida pública pessoas mergulhadas em si mesmas, ou seja, governantes mergulhados em si mesmos impedem que a sociedade se consolide enquanto princípio que possa se contrapor aos interesses particulares. A sociedade ideal é a sociedade sem corrupção, mas para isso acontecer aqueles que almejam a vida pública para gerir o bem coletivo precisa levar consigo algum sentido de sociedade, algum interesse em relação ao destino de todos os seus demais concidadãos. É, portanto resgatando esse sentido nas novas gerações que poderemos caminhar rumo a uma sociedade menos corrupta e menos particularista. Neste sentido justiça e direitos por ser a base que buscou legitimar as sociedades democráticas modernas devem continuar a prevalecer como princípio e bem maior para seus governantes. Exercer e poder praticar esses valores democráticos ajuda em muito na hora de buscar realizar o ideal tão sonhado e desejado por todos de viver em uma sociedade sem corrupção. Mas para que isso possa prevalecer de fato na prática, a credibilidade nas instituições precisa voltar a existir no pensamento da coletividade, credibilidade esta, aliás, que deve servir para uma finalidade semelhante capaz de oferecer ao homem e a sociedade os meios para que justiça e direito possam se tornar os principais meios de sociabilidade em bases impessoais. Nesses termos, cabe uma pergunta: Como criar uma sociedade de sociabilidade tão intensa? A resposta para isso passa, portanto, na necessidade de se resgatar um sentido de sociedade que foi ficando para trás na medida em que as relações entre público e privado foram perdendo seus pontos de diferenciação.

O PIEGUISMO DA TAGARELICE


Pior do que os que fazem fofoca, só os que param para ouvi-las
Meu amigo Gofredo achava que tinha encontrado o amor de sua vida. Tereza, dizia ele, era perfeita. Repórter de um grande jornal da capital da Bahia, Salvador. Bonita, loira de cabelos que escorriam quase até a cintura, libidinosamente petulante, inteligente. Falava de Paulo Coelho, de Ciro de Matos e de artes marciais, e não recusava qualquer conversa de bacharel. Piercing no seio, que ela dizia deixá-la em estado de contínua excitação, tatuagem de golfinho na virilha esquerda. Tudo bem que Gofredo é uma gangorra sentimental, sempre à procura da mulher perfeita, mas sua descrição de Tereza me fez acreditar que aquela história duraria pelo menos algumas semanas. Não durou mais que dez dias. Quando Gofredo me disse por que tinha demitido de sua vida uma mulher tão sensacional como Tereza, vi que ele tinha toda razão. Tereza era a Mulher Tagarela. Um homem suporta muitas coisas. Dor de dente, congestionamento, jogadores mercenários. Pedágios que se multiplicam, Claudia Leitte e Ivete Sangalo, o mosquito da dengue. Filas. Sogras, juízes de futebol, supermercados sábado pela manhã. É incrível a resistência do homem às calamidades. O que não dá para suportar é a Mulher Tagarela. Tereza, me disse Gofredo, era uma Mulher Tagarela. Seu assunto favorito, como sempre acontece nesses casos, era ela mesma. Tereza se julgava uma eterna manchete. Contava suas histórias com entusiasmo barulhento. Seus olhos se arregalavam ao falar de si própria. Não havia pausa, não havia brechas pelas quais o pobre Gofredo conseguisse deter o vulcão verborrágico da loira espetacular. “Tudo bem que a mulher fale antes e depois do sexo”, me disse Gofredo em sua estupefação tola. “Mas durante fica difícil. Não estou falando de conversa sexual. Ela me contava coisas como o elogio que tinha recebido do chefe, e de como tinha sido merecido. Uma vez ela me falou como tinha roubado o namorado rico e poderoso de sua irmã. Uma outra vez ela abriu os olhos subitamente e me disse se podia me fazer uma pergunta. Eu disse sim, e ela perguntou se eu podia trocar o pneu furado do carro dela. O pior é que troquei imediatamente.” A Mulher Tagarela não tem limites. Simplesmente detesta ouvir. Depois de escassos segundos de aparente atenção, você nota em seus olhos dispersos que ela não está ouvindo. Seus pensamentos estão na verdade voando em torno dela mesma. Nada do que você faz é capaz de prender o interesse da Mulher Tagarela. Por isso ela não tem amigas e nem amigos. É amiga apenas de si mesma. Gofredo é um jornalista aspirante a escritor. Contou empolgado a Tereza que uma editora de livros tinha decidido publicar o seu primeiro romance. O primeiro romance publicado de um aspirante a escritor é mais importante que o primeiro sexo ou que a primeira vez que dirige um carro. Ela bocejou e pediu a ele que fosse buscar um copo de água para ela. Metade gelada, metade natural. Estava com sede. Foi quando Gofredo desistiu. Não sem antes, é verdade, ter providenciado o copo sob medida de água para Tereza. Gofredo queria o básico. Nada além do básico. “Ela não precisava nem ler o manuscrito”, ele me disse. “Bastava pedir uma cópia e depois dizer que tinha achado alguns trechos legais.” Nos poucos dias em que estiveram juntos, Gofredo conheceu compulsoriamente toda a história de Tereza. Detalhes em geral pouco animadores de seus namorados passados. João Paulo falhara algumas vezes. Lúcio tinha ejaculação precoce e se recusava a enfrentar a verdade e procurar um médico. Danilo Góis gostava de vê-la com fantasias sexuais na cama. Edu, com certeza, não escovava os dentes. Otávio nunca tinha lido um livro, era um burro. Bruno achava que Sergio Leone era um jogador de futebol do Milan. A Mulher Tagarela só tem palavras positivas para ela mesma. Nem com piercing no mamilo se salva. Apenas uma espécie se compara a ela. É o Homem Tagarela.

É NECESSÁRIO QUE SE FAÇA JUSTIÇA


Ainda existem políticos que só tem estrume na cabeça


Nestes seus 517 anos o Brasil experimentou um extraordinário progresso nas áreas de ciência e tecnologia, tornando-se um país moderno e ingressando no seleto clube das grandes potências mundiais. Infelizmente, porém, moralmente o país não acompanhou o mesmo desenvolvimento, dominado por atitudes primitivas e situações que lembram a idade média, quando a ambição e o ódio determinavam comportamentos. Embora a democracia seja o regime vigente no país, os que ambicionam o poder preferem ignorá-la e agir como se não existissem leis, empenhados em atingir seus objetivos a qualquer preço, mesmo ao custo de elevados prejuízos à Nação e seu povo. Os cidadãos que se candidatam a cargos eletivos, especialmente do Congresso Nacional, com honrosas exceções, ao que parece não são movidos pelo desejo de trabalhar pelo país e seu povo mas em defender os seus próprios interesses e dos grupos que representam. Para eles pouco importa se as suas atitudes no Legislativo contrariam os interesses nacionais, desde que atinjam os alvos ambicionados. Lamentavelmente, políticos como o indivíduo Geraldo Simões, popularmente apelidado de “Cabeça de Pitu” desqualificam a política, já profundamente desgastado e desacreditado pelo comportamento esdrúxulo de alguns dos seus protagonistas. Há um velho ditado popular segundo o qual “a Justiça tarda mas não falha”. O autor do adágio provavelmente estava se referindo à Justiça divina, porque a nossa, aqui da Terra, tem se revelado muito falha. No caso específico do Geraldo “Cabeça de Pitu”, a Justiça Divina e a Justiça dos eleitores, o defenestraram do Congresso Nacional. Mas a Justiça da Justiça ainda o beneficia pelos crimes que ele e seus comparsas cometeram contra o erário e ao desenvolvimento do sul da Bahia. Por essas e por outras é que muita gente afirma que só confia na Justiça divina. Na verdade, não cai um fio de cabelo da cabeça sem que Deus saiba e, portanto, ele sabe de tudo que acontece em toda parte, até mesmo os pensamentos mais secretos. Ninguém, portanto, ficará impune, seja nesta ou em outra vida. Muitos já começaram a sentir a mão invisível de Deus, fazendo vir à superfície as sujeiras escondidas bem no fundo e sob as raízes dos cacauais. Geraldo Simões, por exemplo, que até pouco tempo apresentava-se como o poderoso compadre de Lula, está vivendo o seu inferno astral e caminha, melancolicamente, para o desterro eleitoral. Embora, ainda tem o desplante de continuar falando grosso, mesmo sob vida pregressa com registro de recorde baiano em quantidade de processos e condenações judiciais. Não vai demorar, porém, a falar fino, porque lá em cima tem alguém vigiando e esperando o momento certo para fazer justiça.