Com menos tempo de campanha e limites mais rigorosos de gastos nestas eleições, os candidatos tendem a fazer mais uso da internet para divulgar suas propostas e alcançar cada vez mais o eleitorado. É muito difícil encontrar alguém que não esteja conectado à internet e quase impossível alguém não possuir whatsapp, facebook e outras alternativas de redes sociais, sobretudo, através de celulares.
Os
smarthphones são os campeões em acessos, atrás dos computadores. Até a véspera
das eleições, o debate político tende a ocorrer não só nos tradicionais
comícios e caminhadas, mas sobretudo nas redes sociais, exigindo, por um lado,
a adoção de posturas diferenciadas dos candidatos, e por outro, a atuação
responsável dos eleitores. A legislação eleitoral prevê regras para as
postagens e propaganda política na internet, assim como multas para aqueles que
fizerem mau uso das ferramentas digitais, atingindo o caráter de terceiros.
O
Poder Judiciário ainda não está preparado para atuar com eficiência para
solucionar conflitos que possam surgir da interação entre internautas. Com as
mudanças na legislação eleitoral, esta eleição terá menos tempo de campanha e
limites de gastos estipulados em 70% das despesas declaradas no pleito
anterior. A internet, por permitir contato gratuito e a qualquer hora, é um
fator muito importante numa campanha política, embora as campanhas eleitorais
sejam decididas mediante a combinação de muitas variáveis e através do uso de
diferentes plataformas de comunicação.
Mas,
sem dúvida, a internet deixou de ser um meio de comunicação secundário
principalmente desde as últimas eleições, no caso brasileiro, e passou a ser
fundamental, pois cada vez mais o eleitor gasta boa parte do seu tempo
consumindo conteúdo on-line, principalmente via redes socais, e os diversos
estudos demonstram que isso já influencia na decisão do voto.
O candidato
que ignorar a internet, terá dificuldade em se eleger, pois muita informação
on-line, seja falsa ou verdadeira, tem grande impacto e atinge mesmo aqueles
que não são usuários da rede, de forma indireta. Ao mesmo tempo, um candidato
que usar apenas a internet e ignorar outros meios também dificilmente vencerá
uma eleição, pois a internet deve ser compreendida dentro de um sistema que
integra outras mídias. Não deve ser vista como algo isolado.
Para
se fazer conhecido, um candidato precisa saber trafegar nos diversos meios de
comunicação, respeitando, em cada um, suas diferentes gramáticas e
funcionamento. Há algumas proibições impostas pela legislação, que afetam
candidatos e também eleitores, como o anonimato e a atribuição a terceiros de
postagens, atos que podem resultar em multas.
Mas a
justiça não está preparada para atuar com eficiência na esfera digital Ela
ainda não tem como fiscalizar e manter de fato justa a disputa na internet. E
isto acontece por três razões principais. Primeiramente, há um problema crônico
de ineficiência no sistema judiciário. Isso afeta também a Justiça eleitoral e
não será resolvido na próxima eleição. Segundo, muitos juízes têm dificuldade
de entender como a internet funciona e tomam decisões baseadas em premissas ou interpretação
equivocadas.
Vejo
muitas decisões judiciais que ignoram preceitos básicos de funcionamento da
rede. Terceiro, algumas proibições previstas na legislação podem ser
falsificadas on-line com o intuito de prejudicar adversários. Isso é muitas
vezes difícil de se comprovar a autoria de um delito, o que demandaria um
mecanismo de investigação que tenho dúvidas se temos hoje disponível na Justiça
eleitoral.
Diferente de países como os Estados Unidos, o Brasil começou, não há muito tempo, a utilizar de forma massiva a internet para discutir política, sobretudo para candidatos convencerem o eleitorado.
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