24 de janeiro de 2018

O SUJEITO TÃO “MALA SEM ALÇA”, QUANTO “ESPÍRITO DE PORCO”

Geddel é hoje o maior "Mala Sem Alça" entre todos baianos!
O sujeito falava asneiras demais, supondo que os ouvidos alheios deviam estar sempre disponíveis para a suprema tortura de escutar o que não lhes diz respeito algum. Era um verdadeiro boquirroto, falando sem parar de si mesmo e contando vantagens exageradas sobre as conquistas que somente ele enxergava. Punha-se ao lado do primeiro incauto que lhe cruzasse o caminho e, sem lhe dar a chance sequer de respirar, já ia despejando uma carreta de bafejos com que a sorte o agraciou: o seu carro era o mais possante, a sua casa a mais confortável, o seu emprego o mais bem remunerado, a sua mulher a mais bonita, os seus filhos os mais inteligentes... Como num best-seller americano, nada na sua vida era pequeno ou comum, nada dava errado nem saía dos trilhos. E quando se ia ver mais a fundo, era tudo mero devaneio de uma mente totalmente distanciada da realidade. Farinha azeda de verdade, mala sem alça, alma sebosa que nunca soube edificar nada que prestasse. O que fez com rara competência foi somente mentir, mentir muito, mentir descaradamente, dando a quem não o conhecesse de perto a impressão de que chegava até a acreditar nas muitas inverdades que ele próprio inventava. Com o tempo, passou a servir de chacota, apontado em meio a sussurros quando desfilava de nariz empinado, sem dar um bom dia a ninguém, ajeitando os cabelos grudados com goma. De metido tornou-se ridículo, de boçal transformou-se numa figura quase folclórica, símbolo da petulância que não leva a lugar nenhum, exemplo da arrogância que evidencia pequenez de espírito. Findou-se tristemente, solitário e esquecido. Nasceu e viveu toda a existência na mesma ruazinha, mas jamais praticou um ato nobre, nunca ajudou desinteressadamente a ninguém, sempre quis tirar vantagem de tudo e de todos. Saiu de cena sem fazer falta. Quando o seu caixão ia chegando perto do cemitério, um bêbado disse para alguém que lamentava o desaparecimento do sujeito: “Guarde sua pena; pra que gastar vela boa com defunto ruim?”.

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