6 de maio de 2017

ESTAMOS EM TEMPO DE DISSIMULAÇÕES E INVERDADES


Inquietudes de Selem Rachid são confirmadas nos tempos atuais
O saudoso professor, pesquisador, escritor e pensador da sociológia sulbaiana, Selem Rachid Asmar, com inspiração imortal, analisou a concepção dos gregos antigos sobre a verdade. Escultores geniais representaram sua imagem na beleza translúcida do mármore – uma deusa sustentando na mão direita um disco do sol e na esquerda um livro aberto contendo uma palma, aos pés o esplendor do globo terrestre. Séculos depois, Jesus de Nazaré diante de Pilatos, submetido ao julgamento descrente dos homens ímpios, questionado sobre seu reinado espiritual, respondeu: “É como dizes, eu sou rei. Foi por isso que nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. O filho de Deus ainda indagado sobre a verdade não concebe em palavras a expectativa do inquisitor. A plenitude de seu olhar substitui a resposta que a humanidade ainda hoje gostaria de ter. O processo da história não tem esclarecido a misteriosa interrogação. As atitudes e as ações dos estadistas, através dos tempos, têm acentuado a angústia da falta dessa percepção. A questão política moderna em torno do poder oculto ou da verdade oculta tem atormentado os pensadores do nosso tempo. Dominados pela conhecida afirmação – o poder tende a esconder-se. O cientista social, Selem Rachid, ainda realçava – o poder gosta de se esconder, mas tenta atrair pelos seus privilégios, seduzindo o povo pela opulência e ampla influência. Com o segredo, o poder espalha temor; com o extravagante ritual, o poder busca seduzir. O temor e o respeito estão intimamente ligados à questão do segredo do poder, que se sente tanto mais forte quanto mais secreto. Se o poder quer se fazer temer, deve se revelar o menos possível para o mundo exterior. Outra regra, ensinada pelo mestre Selem – o máximo da corrupção corresponde ao máximo do segredo. O contrato lícito pode ser resolvido em plena luz do dia; o operado ilegalmente acontece na penumbra das sombras. Na seara sentimental da sociologia, nem sempre estão claras as circunstâncias dos fatos. Existem as verdades secretas, as quais não revelam de imediato, o perfil de seus personagens e a intensidade de suas paixões. Shakespeare traduziu com sabedoria – pobre é o amor que pode ser medido e logo compreendido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente no blog do Val Cabral.