2 de fevereiro de 2017

EU NASCI HÁ 55 ANOS E NÃO HÁ NADA EM ITABUNA. QUE EU NÃO SAIBA DEMAIS

Vivo vendo vidas e mortes e sigo contando minhas histórias
Contrapondo a letra da música criada pelo tresloucado Raul Seixas, que narra a estória de um velhinho que dizia ter nascido há dez mil atrás (atrás), decidi embarcar nessa viagem enigmática, para assegurar que nasci há 55 anos em Itabuna e não existe uma só coisa nessa cidade, que eu não conheça demais. Vi postos policiais serem criado e extintos; vi jornalistas bradarem e serem assassinados. Vi trabalhadores da fabrica Kildari serem crucificados e a Kildari renascer em outro Estado. E vi o Rio Cachoeira pegando fogo, pelo descaso de governantes insensíveis com este pecado. Vi meus avós cruzarem a estação de trem, que não existe mais; vi alunos caírem na terra de joelhos, diante do fechamento da Escola Lúcia Oliveira e vi Jaques Wagner negar o Centro de Convenções por muitas vezes diante do povo estupefato. Vi as portas dos teatros ABC, AFI e Amélia Amado se fecharem para o público; vi cinemas, museu, galeria de artes e o Hospital Maria Goreth ser riscados no mapa e vi prefeitos corruptos, ganhando eleições, enquanto os cidadãos perdiam o aeroporto, Bancos BMG, Rural e se escondendo atrás das raparigas no falido Brega de Sônia. Vi os jogadores driblarem seus adversários no Campo da Desportiva, que foi extinto, antes de acabarem com os caretos da cidade. Vi o velho Lane Orrico, tocando seus cantos pelos ares na filarmônica, que acabou pouco depois que ele se foi. E vi bandidos fugirem dos postos policiais dos bairro Santa Inês, Mangabinha e São Judas Tadeu, que nem existem mais. Vi o sangue que corria da periferia, quando raios A, B e DMP chamaram toda sua laia. Vi os reclames dos soldados, que perderam seus parceiros e muitas viaturas policiais. Também li os símbolos sagrados de umbanda na biblioteca do Colégio São José, que fechou depois que acabaram os clubes sociais do Pontalzinho, Mangabinha e São Caetano, onde quando eu era criança, frequentava pra poder dançar ciranda e quando todos embarcavam nos últimos vôos no aeroporto, eu deitei na cama na varanda. Mas eu nunca estive junto com os macacos na caverna e nem bebi vinho com as mulheres na taberna. E para aquele que provar que eu estou mentindo, eu tiro o meu chapéu... pois não tem nada em Itabuna, que eu não saiba demais. 

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