16 de janeiro de 2017

DE MAQUIAGEM A COR DE MEIA, VEREADOR FAZ MANUAL DE CONDUTA

Pery Cartola é presidente da Câmara de São Bernardo do Campo
O presidente da Câmara de Vereadores de São Bernardo do Campo (SP), Pery Cartola (PSDB), publicou e distribuiu entre os servidores da Casa, nesta semana, um manual de conduta profissional que traz orientações sobre pontualidade, uso do telefone, namoro e até mesmo uso de maquiagens para mulheres e a cor da meia que os homens devem usar. O material foi entregue aos cerca de 400 servidores da Câmara da cidade após uma reunião em que Cartola apresentou a Casa aos novos funcionários e fez algumas observações sobre o manual. O texto acabou sendo criticado por alguns funcionários e, principalmente, pelo Sindicato dos Servidores Públicos da cidade, o Sindserv. As 29 páginas do manual, feito na forma de slides de PowerPoint, trazem dicas básicas de pontualidade ("uma das atitudes mais desagradáveis no ambiente de trabalho são os atrasos"), de como trabalhar ao telefone ("ao atender ao telefone, diga: Gabinete ou Vereador/Vereadora, bom dia ou boa tarde. Em seguinte pergunte, "em que posso ajudar?""), de uso da internet ("acesse somente os sites que tenham relação com o serviços prestados e/ou informações solicitadas"), de uso do elevador ("se você não tem restrições ou limitações, use a escada quando puder, é bom para a saúde"), apresentação pessoal ("o uso do crachá é obrigatório, e deve ficar sempre visível. É proibido usar em bolsos de blusa ou camisa entre outras"). Porém, são as instruções sobre a forma de se vestir e algumas recomendações sobre cumprimentos que causaram mais estranhamento. Segundo o manual, o servidor "jamais deve cumprimentar alguém com a mão mole ou tocando somente nas pontas dos dedos. O aperto de mão deve ser firme, sem ser agressivo ou exagerado, com três sacudidas compassadas. A intenção não é estraçalhar os dedos da outra pessoa". Em relação ao vestuário, os homens são orientados a não usar meias claras com trajes escuros, a não vestir bermudas, camisas desabotoadas, sandálias franciscanas e gravatas de bichinhos, de crochê ou frouxa no colarinho. Já as mulheres deve preferir batom e esmaltes claros, saias na altura do joelho e tailleurs, não podem exagerar no perfume e devem estar maquiadas "de maneira discreta e funcional". O vereador Pery Cartola se espantou com a polêmica criada com o manual e afirmou que seu objetivo foi padronizar o atendimento e a abordagem do funcionário da Câmara. “Quero mostrar como o servidor deve se portar na frente do munícipe. O intuito foi padronizar, deixar o atendimento coeso. Não entendo porque estão fazendo muito barulho. Não tem nenhum tipo de medida proibitiva, ou preconceituosa." Segundo ele, o manual não traz regras, já que não há nenhum tipo de penalidade prevista para quem não o respeitar. Cartola contou que, como a Câmara recebeu cerca de 200 novos funcionários com a posse na atual legislatura, a direção da Casa quis mostrar a todos que existe um modelo a ser seguido. Apesar das críticas, o vereador conta que já nota mudanças na maneira de trabalhar dos funcionários da Câmara. "As pessoas já estão mudando a concepção. Estão todos vindo trabalhar de crachá, por exemplo", disse. "Agora, é importante dizer que o principal do manual não é orientar quanto ao traje do servidor. A parte mais importante são as orientações em relação ao atendimento ao munícipe e à conduta do servidor. Questões como a pontualidade, a maneira de agir em uma reunião, como cumprimentar sem falsidade ou sem desdém, como usar a internet. Essas coisas", completou. Por Thiago Varella

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