Lembram do Pif-paf, aquela página semanal em que Millôr Fernandes criticava
com inteligência e bom humor as mazelas nacionais e nos fazia entender melhor o
que se passava? Lembram do Pasquim e de obras, como a Bíblia do Caos, que nos
ajudavam a tolerar as nossas aberrações, que o tempo não amainou? Peço licença
ao respeitável leitor: não resisti à tentação, vou fazer um exercício e
utilizar pensamentos do Millôr para tentar entender essa doideira nacional:
como as ruas foram ocupadas por animais que lincham seus semelhantes, por
vândalos que saqueiam lojas, por manifestantes que protestam contra a corrupção
e a impunidade, enquanto outros se aproveitam dela para paralisações e greves
de todo o tipo a atormentar a todos – o que diria o Millôr? Diante dos
protestos de rua contra a Copa; das arenas e demais obras ainda inacabadas há
menos de um mês do evento, mesmo usando e abusando do Regime Diferenciado de
Contratações (hum...); diante do secretário-geral da Fifa que afirmou ser o número exagerado de
estádios uma exigência do governo brasileiro e da inevitável insatisfação
pública, confrontada com o exuberante otimismo oficial, seria inevitável o seu
venenoso “Basta você examinar um otimista pra descobrir, por baixo da compra
sem licitação, um superfaturamento”. Sobre o governo, que poderia evitar muitos
desses transtornos e tem sido leniente com o vandalismo, recebendo no Planalto
os agitadores sem-teto, logo após invasão e depredação das mafiosas
empreiteiras da Copa, turma que no conjunto faz uma associação suspeitíssima,
Millôr escreveu: “Exemplo de absoluta probidade era o cego de um olho só, que
devolvia aos passantes a metade do que recebia”. Sobre o futebol, eterna paixão
nacional, agora motivo de inédita e raivosa polêmica, ele escreveu bastante,
mas vou ficar com uma que parece feita para o momento: “Futebol, o pio do
povo!”. Sobre o Brasil, afirmou
que era “o país do faturo”, mas, a seu modo, também nos deixou uma mensagem de
esperança: “Este é o país onde há a maior possibilidade de criar um mundo
inteiramente novo. Caos não falta”. Salve o Millôr Fernandes, que, com seus
livros, mantêm-se vivo, nos ajudando a entender nosso país.

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