As eleições de 2026 estão em curso, seguindo o calendário da Justiça Eleitoral. A essa altura, faz parte da agenda dos candidatos a conquista de voto, através da operação “corpo a corpo”, junto aos eleitores, e da participação em debates, caminhadas, carreatas e nos horários do guia eleitoral no rádio e na televisão. Todos os candidatos estão muito conscientes quanto à importância desse momento que pode favorecer ou prejudicar a sua performance perante o eleitorado.
Em campanha sob a escudo
da Legislação Eleitoral vigente, os candidatos estão atentos às disposições que
combatem a corrupção eleitoral, uma prática muito antiga, que se revela de
muitas maneiras, como a compra de votos e promessas mirabolantes, cujos
propósitos são de conquistar o voto a qualquer custo.
Como qualquer
empreendimento que envolve mobilizações, uma campanha eleitoral implica
elevados gastos financeiros e aí está a porta aberta para prática da corrupção,
não obstante a aplicação de sanções, previstas na legislação, por parte de
órgãos da Justiça Eleitoral. Os candidatos estão também atentos às exigências
de apresentação de Ficha Limpa, perante os Tribunais, dado que, em grande
escala, não há preocupação em tê-la perante a própria consciência e o
eleitorado.
Nas eleições, há
sempre um elemento presente na relação entre candidatos, eleitores e sociedade:
as promessas de campanha. Em sua grandíssima maioria, os candidatos são exímios
promesseiros. São incontáveis na história das eleições as promessas de seus
candidatos, a exemplo de Odorico Paraguassu, candidato a Prefeito de Sucupira,
que fez uma promessa factível, embora com intuito demagógico: “inaugurar o
único cemitério da cidade, construído como a principal promessa de sua campanha
para prefeito, já que, sempre que morria alguém na cidade, o corpo devia ser
levado para a cidade vizinha para ser enterrado.” Mas fez também uma promessa
enganosa: “Eu sou homem de uma palavra só, não sou um bivocabular. Comprometi-me
inclusive a dar uma cova de graça ao eleitor que, na hora da extrema-unção,
declare ter votado em mim.” Infelizmente, os Odoricos se multiplicam com suas
promessas eleitoreiras.
Na verdade, há
promessas factíveis e enganosas; o eleitor e a população devem exercitar sua
capacidade de discernimento, identificando-as no discurso e na prática dos
candidatos e, consequentemente, dando-lhes o voto de confiança ou alijando-os
de suas pretensões eleitorais. O descumprimento de promessas, por parte dos
candidatos, escapa aos controles legais, todavia, não deveria escapar ao juízo
ético do eleitorado, durante a campanha e, sobretudo, no ato de votar. Alguma
coisa já está sendo feita, visando “uma maior responsabilização pelos
candidatos em relação as suas promessas durante o período eleitoral.”
Há, de fato, uma
responsabilidade mútua, enquanto, de sua parte, o eleitor e a população não
devem deixar-se levar por promessas enganosas. O processo eleitoral é um dos
marcos da democracia moderna em que as partes se legitimam, o que entende a
responsabilidade de ambos no reconhecimento por seus atos.
Basicamente, o discernimento entre promessas realizáveis e enganosas está na consciência política da população e o poder de escolha está no dedo do eleitor, ao digitar na urna eleitoral o número de candidatos confiáveis. Esta é uma longa estrada a ser percorrida pela cidadania.

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