O período dos festejos juninos está chegando e consigo também estão vindo dois absurdos, que atacam as finanças das prefeituras e a tradição cultural do povo nordestino. Refiro-me ao uso de emendas parlamentares e orçamentos municipais, para contratação de grandes atrações em cidades do interior da Bahia, com shows de cantores como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Ygor Canário, Gustavo Lima e Wesley Safadão, que cobram para apresentações de uma hora, no máximo, valores superiores a mais de dois anos de salário de um médico e que são mequetrefes em repertórios de forró, xaxado e baião!
É um gigantesco despautério e desrespeito ao erário,
aos festejos juninos e aos enfermos sem atendimentos hospitalares e
ambulatoriais, o pagamento de altos valores em dinheiro em cidades, cujos postos
de saúde estão sem médicos, medicamentos e equipamentos, sob alegação de falta
de recursos. Os prefeitos estão negligenciando e a população embevecida, não
enxerga o quanto tem sido vítima dessa ópera-bufa!
Os irracionais e vastos gastos com cachês de
artistas “nacionais”, terão recursos aplicados em outras cidades e estados; a
concentração no centro da cidade, desse tipo de “festejos juninos sem forró”,
impede a participação de idosos, adolescentes e moradores de distritos e
bairros da periferia, sem recursos de deslocamentos e não fomentam a exploração
comercial da tradição da festa, através da produção local de comidas e bebidas
típicas, além de acabar com legados de “Rainha do Milho”, Quadrilhas, Pau de
Sebo, Corrida no Saco, Quebra Pote e outras atividades históricas de uma
animada festa de São João e São Pedro.
As festas juninas devem ser estimuladas, valorizadas
e patrocinadas pelas prefeituras, através de doações de bandeirolas, fogueiras,
bandas locais e premiações para ruas mais animadas, decoradas e características.
Assim a cidade estaria com seus moradores promovendo barracões, festivais de
iguarias, decorações e animações musicais, com a Prefeitura premiando as mais
destacadas e realizando concursos de quadrilhas, rainha do milho, pau de sebo,
quabra-pote, corridas no saco e de jegue, entre outras atrações em etapas
acontecendo em bairros distintos.
Assim os recursos investidos são vertiginosamente menores; a cidade toda é envolvida na realização da festa, com público muito maior e exploração comercial beneficiando milhares de seus moradores; muito mais turistas forrozeiros visitam e se hospedam em hotéis e residências de seus familiares e amigos locais; o comércio vende muito mais com a cidade toda envolvida e os ensaios das quadrilhas e bandas nativas movimentam e alegram os bairros da periferia. Todos se beneficiam assim. A única perda é dos empresários espertalhões de artistas caríssimos e mequetrefes!

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