Uma falha na articulação política do governo Jerônimo Rodrigues (PT) pode comprometer o mandato de deputados estaduais considerados “raiz”, que agora se veem diante de uma disputa desleal com a chegada de novos parlamentares à Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV).
A reportagem deste
Política Livre apurou que, na sexta-feira (3), já “aos 45 minutos do segundo
tempo para o fim da janela partidária”, o secretário de Relações
Institucionais, Adolpho Loyola, convocou os deputados para uma reunião. Na
ocasião, instalou-se um clima de “insatisfação generalizada” dentro do grupo,
como definiu um dos parlamentares.
Nesta semana, o Grupo
de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT deliberou que não haveria novas filiações sem
submissão prévia à instância. O acordo, que também contava com o aval do PV e
do PCdoB, foi quebrado “de cima para baixo” com a filiação de quatro novos
deputados: Fabíola Mansur, que trocou o PSB pelo PV; Eduardo Salles e Antônio
Henrique Júnior, que deixaram o PP rumo ao PV; e Angelo Almeida, que, de última
hora, saiu do PSB para o PT.
“O movimento do governo
minou o PSB e o PDT. Na prática, o governo não encontrou solução para os
partidos da base, não conseguiu equacionar a formação das chapas, e sobrou para
a federação resolver. Viramos os ‘coletores’. Havia um pacto para não filiar
ninguém, e ele foi quebrado pelo governo”, afirmou um deputado.
Outro parlamentar
classificou a manobra como um “golpe duro” e avaliou que “a reunião com Loyola
foi muito mais demonstração de incompetência do que uma derrota”.
SALVE-SE QUEM PUDER - Diante
do novo cenário, instalou-se um verdadeiro clima de “salve-se quem puder” na
base governista. À reportagem, parlamentares projetam a repetição do cenário de
2022, quando, também após falhas na articulação política, quatro deputados não
conseguiram renovar seus mandatos: Jacó, Marcelino Galo, Neusa Cadore e Bira
Corôa.
“Há a expectativa de
que deputados ‘raiz’ do PT percam suas vagas, assim como no PCdoB e no PV.
Estamos todos preocupados, a insatisfação é generalizada”, resumiu um dos
entrevistados.
Para evitar a repetição
do cenário, foi prometido, na reunião, que o governo irá impulsionar as
campanhas dos deputados originalmente vinculados à federação. O problema, segundo
um deles, é que “é um volume muito grande de ações que podem não sair do
papel”.
Questionado se a
manutenção de Geraldo Júnior (MDB) na chapa majoritária mais ajuda do que
atrapalha o grupo - já que não houve elemento surpresa para enfrentar a
oposição -, um parlamentar disse ser favorável à permanência do emedebista.
“Eu sempre defendi a permanência do MDB. Geraldo foi o único que quis a vaga, o único que poderia estancar [a sangria]. Só arrancaria votos se trouxesse alguém do lado de lá, o que também, por falha na articulação, não aconteceu. Voto a voto, na urna, quem vai colocar são os dois senadores e o governador. O vice não será determinante para uma eventual vitória”, frisou.

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