É através do conhecimento e da formação de cidadãos críticos e qualificados que um país pode almejar o desenvolvimento pleno e a prosperidade. No entanto, a realidade educacional de muitos estados brasileiros, como a Bahia, revela um cenário preocupante, marcado por baixos índices de desempenho, políticas controversas e a formação de uma geração de jovens com deficiências crônicas de aprendizado.
Tentarei
analisar criticamente a situação da educação na Bahia, abordando os índices do
IDEB, a política de aprovação automática, o fenômeno do analfabetismo funcional
e as nefastas consequências para o futuro do estado e do Brasil, em contraponto
ao exitoso modelo do Ceará. Não se trata de uma verdade absoluta, mas apenas o
que os meus poucos neurônios não permitem que passem por mim despercebidos.
RETRATO
DA EDUCAÇÃO NA BAHIA: NÚMEROS QUE ALARMAM - O Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (IDEB) é o principal termômetro da qualidade da educação no
Brasil. Os resultados de 2023 para a Bahia, embora apresentem uma aparente
estabilidade, escondem uma realidade alarmante. Enquanto nos anos iniciais do
ensino fundamental (1º ao 5º ano) o estado atingiu a meta, com 5,3 pontos, nos
anos finais (6º ao 9º ano) e no ensino médio, os resultados foram de 4,2 e 3,9
pontos, respectivamente, ambos abaixo da meta projetada.
Esses números, por si só, já seriam motivo de grande
preocupação. Contudo, a situação se agrava quando se analisa a política de
progressão continuada, popularmente conhecida como "aprovação automática".
Concebida com o "nobre
intuito de combater a evasão escolar e a distorção idade-série", a sua
aplicação desvirtuada, sem o devido acompanhamento pedagógico e reforço
escolar, transforma-se em um mecanismo de mascaramento do fracasso escolar.
A obrigatoriedade de aprovar alunos que não atingiram o
conhecimento mínimo necessário para avançar cria uma perigosa ilusão de
sucesso, empurrando o problema para as séries seguintes e, em última instância,
para a sociedade. O resultado dessa política é a formação de "analfabetos
funcionais" ou "orgânicos": jovens que, embora tenham
frequentado a escola por anos, não desenvolveram a capacidade de interpretar um
texto simples, realizar operações matemáticas básicas ou aplicar o conhecimento
adquirido em situações cotidianas.
Segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional
(INAF), 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos se enquadra nesse
perfil. É uma tragédia silenciosa que compromete o futuro de milhões de
brasileiros e impõe um pesado fardo ao desenvolvimento do país.
O CONTRAPONTO CEARENSE: UM MODELO A SER SEGUIDO - Enquanto a Bahia
patina em seus indicadores, o Ceará desponta como um oásis de excelência na
educação brasileira. Com o melhor resultado do país nos anos iniciais do ensino
fundamental (6,6 pontos) e o terceiro melhor no ensino médio (4,6 pontos), o
estado demonstra que é possível, sim, promover uma educação pública de
qualidade, mesmo em um contexto de adversidades socioeconômicas. O sucesso
cearense não é fruto do acaso, mas de um conjunto de políticas públicas bem
estruturadas e implementadas de forma consistente ao longo de mais de uma
década.
DUAS INICIATIVAS SE DESTACAM: Uma, o Programa de
Alfabetização na Idade Certa (PAIC). Lançado em 2007, o programa estabeleceu
como prioridade a alfabetização de todas as crianças até o final do 2º ano do
ensino fundamental. Para isso, o estado ofereceu suporte técnico e pedagógico
aos municípios, promovendo a cooperação e o compartilhamento de boas práticas
Duas, a Reforma do ICMS. De forma inovadora, o Ceará
atrelou o repasse de parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) aos resultados educacionais dos municípios. Assim, cidades com
melhores indicadores passaram a receber mais recursos, criando um poderoso
incentivo para o investimento e a melhoria da qualidade do ensino. Essa
combinação de foco na base, cooperação e incentivos financeiros transformou a
educação cearense e serve como um farol para o restante do Brasil.
A COMPARAÇÃO COM A BAHIA É
INEVITÁVEL E DOLOROSA - Enquanto o Ceará investiu em estrutura, formação de
professores e meritocracia, a Bahia parece ter optado por um atalho que, a
longo prazo, se revela um caminho para o abismo.
AS
CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS PARA A BAHIA E O BRASIL - A insistência em um modelo
educacional falido, que prioriza a estatística em detrimento da aprendizagem,
terá consequências devastadoras para a Bahia e para o Brasil. Um estado com uma
força de trabalho mal qualificada não consegue atrair investimentos, gerar
empregos de qualidade ou promover o desenvolvimento social. A perpetuação do
ciclo de pobreza se torna inevitável.
Em um mundo cada vez mais competitivo e tecnológico, a
demanda por profissionais altamente qualificados é crescente. O Brasil, para se
consolidar como uma nação de primeiro mundo, precisa urgentemente de
engenheiros, médicos, cientistas, programadores e empreendedores capazes de
inovar e competir em pé de igualdade no cenário global.
A formação deficiente oferecida por sistemas educacionais
como o da Bahia rema na direção contrária, condenando o país a uma posição de
subalternidade econômica e tecnológica. O "analfabetismo funcional"
não é apenas um problema educacional; é um entrave estrutural ao crescimento
econômico.
Um trabalhador que não consegue interpretar um manual de
instruções, preencher um formulário ou se adaptar a novas tecnologias tem sua
produtividade drasticamente reduzida. Por esta razão, a economia brasileira
perde trilhões de reais anualmente devido a falhas na formação profissional.
Concluo dizendo que: MUDAR ESTA POLÍTICA SE FAZ URGENTE! A
situação da educação na Bahia é um alerta que não pode ser ignorado. A política
de aprovação automática, quando desacompanhada de um robusto sistema de apoio e
recuperação da aprendizagem, é um desserviço aos estudantes, às famílias e à
sociedade. Ela não apenas falha em educar, mas também engana, ao conferir um
diploma que não reflete o conhecimento real.
O exemplo do Ceará prova que a mudança é possível. É
preciso CORAGEM POLÍTICA para romper com modelos ultrapassados e investir em
políticas educacionais sérias, que valorizem o professor, estabeleçam metas
claras e recompensem o mérito. A alfabetização na idade certa, a cooperação
entre estado e municípios e a criação de incentivos financeiros são caminhos
que já se provaram eficazes.
O FUTURO DA BAHIA E DO BRASIL ESTÁ EM JOGO - Continuar no CAMINHO DA MEDIOCRIDADE e DO FAZ DE CONTA EDUCACIONAL, é condenar as próximas gerações a um futuro de subemprego e desesperança. A hora de mudar é agora. A educação não pode esperar. Por Jorge Almeida.
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