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1 de janeiro de 2026

A ENCRUZILHADA DA EDUCAÇÃO BAIANA: ENTRE A APROVAÇÃO AUTOMÁTICA E O FUTURO DO BRASIL

A educação é o alicerce sobre o qual se ergue o futuro de uma nação. Assim comprovam todas as nações que investiram massivamente, como Japão, Coreia, China...

É através do conhecimento e da formação de cidadãos críticos e qualificados que um país pode almejar o desenvolvimento pleno e a prosperidade. No entanto, a realidade educacional de muitos estados brasileiros, como a Bahia, revela um cenário preocupante, marcado por baixos índices de desempenho, políticas controversas e a formação de uma geração de jovens com deficiências crônicas de aprendizado.

Tentarei analisar criticamente a situação da educação na Bahia, abordando os índices do IDEB, a política de aprovação automática, o fenômeno do analfabetismo funcional e as nefastas consequências para o futuro do estado e do Brasil, em contraponto ao exitoso modelo do Ceará. Não se trata de uma verdade absoluta, mas apenas o que os meus poucos neurônios não permitem que passem por mim despercebidos.

RETRATO DA EDUCAÇÃO NA BAHIA: NÚMEROS QUE ALARMAM - O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é o principal termômetro da qualidade da educação no Brasil. Os resultados de 2023 para a Bahia, embora apresentem uma aparente estabilidade, escondem uma realidade alarmante. Enquanto nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) o estado atingiu a meta, com 5,3 pontos, nos anos finais (6º ao 9º ano) e no ensino médio, os resultados foram de 4,2 e 3,9 pontos, respectivamente, ambos abaixo da meta projetada.

    Esses números, por si só, já seriam motivo de grande preocupação. Contudo, a situação se agrava quando se analisa a política de progressão continuada, popularmente conhecida como "aprovação automática".

Concebida com o "nobre intuito de combater a evasão escolar e a distorção idade-série", a sua aplicação desvirtuada, sem o devido acompanhamento pedagógico e reforço escolar, transforma-se em um mecanismo de mascaramento do fracasso escolar.

    A obrigatoriedade de aprovar alunos que não atingiram o conhecimento mínimo necessário para avançar cria uma perigosa ilusão de sucesso, empurrando o problema para as séries seguintes e, em última instância, para a sociedade. O resultado dessa política é a formação de "analfabetos funcionais" ou "orgânicos": jovens que, embora tenham frequentado a escola por anos, não desenvolveram a capacidade de interpretar um texto simples, realizar operações matemáticas básicas ou aplicar o conhecimento adquirido em situações cotidianas.

    Segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos se enquadra nesse perfil. É uma tragédia silenciosa que compromete o futuro de milhões de brasileiros e impõe um pesado fardo ao desenvolvimento do país.

O CONTRAPONTO CEARENSE: UM MODELO A SER SEGUIDO - Enquanto a Bahia patina em seus indicadores, o Ceará desponta como um oásis de excelência na educação brasileira. Com o melhor resultado do país nos anos iniciais do ensino fundamental (6,6 pontos) e o terceiro melhor no ensino médio (4,6 pontos), o estado demonstra que é possível, sim, promover uma educação pública de qualidade, mesmo em um contexto de adversidades socioeconômicas. O sucesso cearense não é fruto do acaso, mas de um conjunto de políticas públicas bem estruturadas e implementadas de forma consistente ao longo de mais de uma década.

    DUAS INICIATIVAS SE DESTACAM: Uma, o Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC). Lançado em 2007, o programa estabeleceu como prioridade a alfabetização de todas as crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental. Para isso, o estado ofereceu suporte técnico e pedagógico aos municípios, promovendo a cooperação e o compartilhamento de boas práticas

    Duas, a Reforma do ICMS. De forma inovadora, o Ceará atrelou o repasse de parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aos resultados educacionais dos municípios. Assim, cidades com melhores indicadores passaram a receber mais recursos, criando um poderoso incentivo para o investimento e a melhoria da qualidade do ensino. Essa combinação de foco na base, cooperação e incentivos financeiros transformou a educação cearense e serve como um farol para o restante do Brasil.

    A COMPARAÇÃO COM A BAHIA É INEVITÁVEL E DOLOROSA - Enquanto o Ceará investiu em estrutura, formação de professores e meritocracia, a Bahia parece ter optado por um atalho que, a longo prazo, se revela um caminho para o abismo.

AS CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS PARA A BAHIA E O BRASIL - A insistência em um modelo educacional falido, que prioriza a estatística em detrimento da aprendizagem, terá consequências devastadoras para a Bahia e para o Brasil. Um estado com uma força de trabalho mal qualificada não consegue atrair investimentos, gerar empregos de qualidade ou promover o desenvolvimento social. A perpetuação do ciclo de pobreza se torna inevitável.

    Em um mundo cada vez mais competitivo e tecnológico, a demanda por profissionais altamente qualificados é crescente. O Brasil, para se consolidar como uma nação de primeiro mundo, precisa urgentemente de engenheiros, médicos, cientistas, programadores e empreendedores capazes de inovar e competir em pé de igualdade no cenário global.

    A formação deficiente oferecida por sistemas educacionais como o da Bahia rema na direção contrária, condenando o país a uma posição de subalternidade econômica e tecnológica. O "analfabetismo funcional" não é apenas um problema educacional; é um entrave estrutural ao crescimento econômico.

    Um trabalhador que não consegue interpretar um manual de instruções, preencher um formulário ou se adaptar a novas tecnologias tem sua produtividade drasticamente reduzida. Por esta razão, a economia brasileira perde trilhões de reais anualmente devido a falhas na formação profissional.

    Concluo dizendo que: MUDAR ESTA POLÍTICA SE FAZ URGENTE! A situação da educação na Bahia é um alerta que não pode ser ignorado. A política de aprovação automática, quando desacompanhada de um robusto sistema de apoio e recuperação da aprendizagem, é um desserviço aos estudantes, às famílias e à sociedade. Ela não apenas falha em educar, mas também engana, ao conferir um diploma que não reflete o conhecimento real.

    O exemplo do Ceará prova que a mudança é possível. É preciso CORAGEM POLÍTICA para romper com modelos ultrapassados e investir em políticas educacionais sérias, que valorizem o professor, estabeleçam metas claras e recompensem o mérito. A alfabetização na idade certa, a cooperação entre estado e municípios e a criação de incentivos financeiros são caminhos que já se provaram eficazes.

    O FUTURO DA BAHIA E DO BRASIL ESTÁ EM JOGO - Continuar no CAMINHO DA MEDIOCRIDADE e DO FAZ DE CONTA EDUCACIONAL, é condenar as próximas gerações a um futuro de subemprego e desesperança. A hora de mudar é agora. A educação não pode esperar. Por Jorge Almeida.

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