2 de junho de 2017

DISTRITÃO GANHA FORÇA E PODE MUDAR TABULEIRO ELEITORAL NA BAHIA

A comissão especial que discute a reforma política na Câmara dos Deputados tem avançado nas discussões das mudanças que devem ser implementadas já no próximo processo eleitoral em 2018. O presidente do colegiado, deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB), acredita que a tese sobre o voto em lista foi superada e está praticamente descartada à luz dos novos fatos da Lava Jato. “O que era dito pela imprensa sobre o voto em lista que esconderia as pessoas implicadas e tal caiu. Entendem os deputados que isso não seria bom para os partidos porque todos, ou praticamente, todos estão citados. A lista do PT, por exemplo, vai relavar o carimbo de Lula, Dilma e Dirceu. Outros partidos a mesma coisa”, acredita o parlamentar. Este é um dos entraves que fez crescer a possibilidade do “distritão” voltar à cena. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para altera este sistema já está circulando na Câmara e a adesão tem crescido. Nela, se aprovada a tempo, a eleição para deputados federais, estaduais e vereadores torna-se semelhante à majoritária. Quem tiver mais voto entra. Acaba com o quociente eleitoral, as coligações perdem força e os ditos puxadores de votos tornam-se 'ativos' apenas para suas respectivas candidaturas. A estratégia de composição de chapa proporcional também muda significativamente. É comum a negociação com candidatos com potencial de votação menor, mas que quando somados os cinco mil, seis mil votos completam o quociente “ajudando” a eleger outro nome. No caso do 'distritão', estes candidatos 'úteis' perdem o sentido e devem ser cooptados para candidaturas com mais musculatura de modo a conseguir transferir voto. Isso não é simples ou fácil. Se o 'distritão' estivesse em vigor em 2014, o cenário na Câmara dos Deputados só seria alterado em um caso para os baianos. Uldurico Júnior (PV) teve 39.904 votos. Ele não seria eleito. Em sua cadeira sentaria Fernando Torres (PSD), que teve pouco mais de 66 mil votos. Jána Assembleia Legislativa, a dança das cadeiras afetaria cinco mandatos. Fabíola Mansur (22.317), Bobo (27.242), Zó (33.973), Jânio Natal (35.421) e Marcell Moraes (35.771) não teriam sido eleitos. Em seus lugares, entrariam Herzem Gusmão (40.876), Bira Coroa (39.083), Mirela (37.010), Temoteo (36.990) e Elinaldo (36.278). Estes números, embora tenham sido apurados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), servem apenas para efeito de comparação, já que a estratégia eleitoral seria diferente em caso de sistema distritão. Para ter validade na próxima eleição, a PEC deve ser aprovada nas duas Casas até outubro. Na Câmara, há uma possibilidade grande de apreciação acontecer no primeiro semestre, no entanto, os deputados acreditam que haverá dificuldade de tramitação no Senado.

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