21 de fevereiro de 2017

RACISMO E HOMOFOBIA NOS MUSICAIS

Algumas músicas se misturam à dança na degradação da mulher
A Bahia tem uma lei conhecida como Antibaixaria, que proíbe a contração com dinheiro público estadual de artistas que tenham no repertório músicas ofensivas às mulheres. Mas esta questão não se restringe à Bahia. Na Cidade Maravilhosa, por exemplo, blocos da festa não oficial, que se reúnem sem horário e trajeto pré-definidos e formados por músicos amadores, decidiram deixar de fora as marchinhas com letras preconceituosas e homofóbicas e que provocam muitas discórdias. O que começou há algum tempo com uma mobilização de mulheres, que passaram a questionar o repertório que incitava preconceito e violência, ganhou força. Assim, músicas e marchinhas famosas entraram no radar das insatisfações. “Olha a cabeleira do Zezé! Será que ele é? Maria Sapatão, de dia é Maria, de noite é João. O seu cabelo não nega, mulata, que és mulata da cor”. Não há um só folião que não conheça as célebres frases, entoadas por multidões nos carnavais de rua Brasil afora. Mas, na mesma proporção que elas são conhecidas, pode-se dizer que são também controversas. Pelo menos no século 21. Se, ao serem compostas, as letras não suscitavam tamanha polêmica, em 2017 é exatamente isso que elas fazem: no carnaval deste ano, essas e tantas outras vêm sendo tachadas de racistas e transfóbicas – ou seja, discriminatórias contra pessoas trans. Tanto que grupos no Rio de Janeiro e em São Paulo se mobilizaram para bani-las da folia de Momo. Outros segmentos apoiaram e músicos começaram a se posicionar também, parando de tocar quando alguém ameaçava puxar as canções. “Se a gente prestar atenção, no trecho ‘Porque és mulata na cor/ Como a cor não pega, mulata/ Mulata, eu quero o teu amor’, está claro o racismo. Cor não é doença, não é contagiosa”, levanta o questionamento um artista visual e percussionista que prefere não se identificar. A discussão, que estourou este ano, começou em 2016, quando outras letras entraram na berlinda. Baile de Favela, cantada por Mc João, por exemplo, foi uma delas. Tropicália, de Caetano Veloso, também ficou na mira pelo uso da palavra mulata, que etimologicamente vem de “mula”. O embate já chegou a São Paulo, com algumas agremiações também se negando a tocar os clássicos e se espalha pelo país. Pelo ouvido, o "politicamente correto" ditará o som nos próximos shows e carnavais.

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