7 de março de 2016

OS FORTES SÃO SEMPRE OS MAIS PREDISPOSTOS

Nenhum obstáculo é grande, quando a vontade de vencer é maior
O que dizer da notícia de que 62 bilionários têm patrimônio igual ao dos 3,6 bilhões mais pobres? A discussão sobre distribuição de renda é inevitavelmente contaminada pelo status de cada um nesse mundo, pois todos pertencem a alguma classe social. Pesquisas sobre o tema apontam uma tendência natural dos mais ricos em achar que a desigualdade é algo positivo e dos mais pobres em achar que a diferença entres as pessoas deveria ser menor. Na tentativa de desfazer esse viés pessoal, os filósofos usam um truque imaginativo. O jogo é imaginar que você foi levado a um planeta onde os seres humanos vivem segundo regras pré-determinadas. Você pode escolher entre três opções: o planeta azul, onde os bem sucedidos vivem muito melhor que os mal sucedidos, o planeta verde, onde essa diferença é menor e o planeta vermelho, onde não existe diferença. Mas não responda ainda. Se feita assim, a pergunta tende a reproduzir as impressões sobre o mundo real, de forma que quem se sente um vitorioso prefere mais desigualdade e quem não, menor desigualdade. Falta, porém, um detalhe. Você tem que escolher sem saber qual é a ordem social vigente nos planetas, sem saber quais são as competências que determinam o sucesso. A riqueza pode vir dos melhores cálculos ou dos melhores poemas, dos maiores esforços físicos ou da maior capacidade de meditação, da maior capacidade de abstinência ou da maior tolerância ao álcool. Ou seja, mesmo que você seja o Bill Gates ou o Pelé, nada garante que nesses planetas você será bem sucedido. E ai, o que você escolheria? O que as pesquisas mostram é que sem ter certeza de que se darão bem, as pessoas não escolhem o planeta azul, mas curiosamente também não escolhem o vermelho. O verde é a resposta da maioria. É comum enxergar a pobreza como 100% fruto da falta de empenho. De certo, dentro de determinada classe, o trabalho duro e o estudo tendem a gerar grandes resultados, mas a migração de classes é evento raro e fortuito. Achar que uma criança educada em escola pública brasileira e criada por pais analfabetos tem a mesma chance de se tornar juiz que o filho do magistrado é, no mínimo, uma ingenuidade. Isso sem falar na herança genética. Estudos têm mostrado cada vez mais sua influência em qualidades como inteligência e perseverança. O berço pode ser mais importante de que gostaríamos de admitir.

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