A Polícia
Civil de São Sebastião da Grama, no interior de São Paulo, investiga quem
modificou um edital publicado no "Diário Oficial" da cidade, no qual
o prefeito, José Francisco Martha, o Zé da Doca (PT), é chamado de
"ladrão" e "homossexual". No mesmo edital, outras
autoridades municipais também são acusadas de roubar os cofres públicos. O texto
foi publicado na edição do último sábado (31) do jornal "A Cidade",
que é editado em São José do Rio Pardo, circula uma vez por semana em dez
municípios e funciona como Diário Oficial. "José Francisco Martha,
prefeito municipal de São Sebastião da Grama, ladrão Estado de São Paulo, no
uso de suas atribuições legais, para colocar a mão no dinheiro do povo",
diz um dos trechos do edital. As ofensas também foram dirigidas a outras
autoridades da cidade. Em outro trecho do edital, que nomeava membros para o Conselho
de Trânsito e Transporte, o edital afirma que os escolhidos foram empossados
por serem "trutas" do prefeito e que roubariam junto com ele. Entre
as pessoas citadas estão o comandante da Polícia Militar, o sargento Neilo
Francisco Pedro, e o delegado titular da cidade, Jorge Luís Ciacco Mazzi. Já o
delegado responsável pelo Departamento Estadual de Trânsito, Marcelo Ferreira
dos Reis, e outros integrantes do Fundo Social de Solidariedade foram chamados
de "homossexuais que receberiam alta remuneração, com liberdade para
roubar os cofres públicos". Procurado, o jornal informou, em nota, que
apenas publicou o material que recebeu da prefeitura e que não fez nenhuma
alteração no arquivo. "Recebemos um e-mail vindo da secretaria da
prefeitura, de onde vieram todos os outros e-mails com editais. Pegamos esses
editais e publicamos sem revisão. O Jornal A Cidade informa que recebeu os
textos e os publicou, sem realizar qualquer alteração", diz a nota.
"Esclarecemos ainda que, no mesmo dia, recebemos outros três editais, do
mesmo e-mail, e todos foram publicados." INVESTIGAÇÃO
- A Polícia Civil de São José do Rio Pardo já começou a ouvir
as testemunhas e, de acordo com o delegado seccional Sebastião Antônio
Mayriques, o responsável pelas ofensas pode responder por calúnia, injúria e
difamação. "A questão de dano moral vai ficar a critério de cada uma das
vítimas", afirmou o delegado.A publicação das ofensas fez com que o
contrato com o jornal "A Cidade" para a publicação dos editais fosse suspenso.
De forma emergencial, os editais serão publicados, por três semanas, em outro
veículo de comunicação até que uma licitação seja finalizada para a escolha do
veículo que servirá como Diário Oficial da cidade.O responsável por redigir os
decretos, portarias e leis da prefeitura, Milton João Espanhol, informou que o
edital original havia sido publicado em abril e que o documento de sábado teve
alterado o número do decreto e a data. "Acredito que tenha ocorrido alguma
invasão no computador do jornal, porque eu olhei o meu arquivo e está tudo
certo, não tem nada", disse. A prefeitura informou que Zé da Doca está em
viagem e só retornará à cidade na próxima terça-feira (10). Em nota, o órgão
repudiou a publicação dos editais. "A prefeitura municipal esclarece, ainda,
que não tem conhecimento de como o decreto e a portaria foram adulterados e
encaminhados ao jornal, que os publicou sem fazer a devida correção, e que, até
o momento, não conseguiu esclarecer a procedência dos arquivos", diz o
texto. Ainda segundo a administração municipal, "todas as medidas cabíveis
já foram tomadas e as pessoas que se sentiram lesadas com as publicações
registraram boletim de ocorrência. A prefeitura municipal aguarda o decorrer
das investigações para tomar as providências cabíveis e espera que o(s)
culpado(s) seja(m) punido(s) criminalmente". Por Eduardo Schiavoni.

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