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15 de outubro de 2011

ENTREVISTA: RENATO COSTA – Presidente do PMDB de Itabuna

Abrigo de políticos com posições das mais diferenciadas, o PMDB está longe de ser considerado um partido ideológico. E o presidente da legenda em Itabuna, Renato Costa, tem plena consciência dessa condição e diz que não se sente constrangido em pertencer ao partido, que convive com políticos do nível de um José Sarney e Renan Calheiros, da chamada “banda podre”, bem como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, considerados políticos “do bem”. Se em nível nacional essa convivência é possível, em Itabuna não se foge à regra e os peemedebistas terão várias pré-candidaturas a escolher, colocadas pelas várias tendências. Para Renato Costa, Itabuna precisa sair do marasmo político que se encontra elegendo um prefeito com visão de estadista e para isso não descarta conversar com outras agremiações, embora considere muito cedo para se falar em coligações. Ele garante que o partido deverá ter candidato próprio, porém não partirá para uma candidatura suicida. A seguir, os principais assuntos da entrevista concedida aos jornalistas José Adervan e Walmir Rosário.
Jornal Agora – O PMDB lançou várias pré-candidaturas, inclusive de duas mulheres: Leninha Duarte e Maruse Xavier, que prometem uma boa disputa interna. Quais serão os critérios de escolha da candidatura à Prefeitura de Itabuna?
Renato Costa – Em março deste ano, a direção nacional do PMDB recomendou que nas grandes e médias cidades o partido lance candidatura própria. Dentro dessa diretriz, a Executiva se reuniu e resolveu abrir o espaço para que todos os filiados com pretensões a se candidatarem lançassem suas pré-candidaturas, o que considero um procedimento bastante democrático. Como filiados do naipe de Ubaldo Dantas e Fernando Gomes, que possuem um grande cabedal de votos, se mostraram desinteressados, foram colocados os nomes de João Xavier, um quadro de tradição, o meu nome, a pedido de Geddel Vieira Lima, e o do advogado Rui Correia. Depois disso, outros peemedebistas foram colocando seus nomes. Também conversamos com lideranças de outros partidos, a exemplo de Vane do Renascer (Claudivane Leite), que optou se filiar ao PRB (Partido Republicano do Brasil), e Leninha Duarte, que deixou o PPS (Partido Popular Socialista), e veio para o PMDB. Próximo ao dia 24 de setembro, data em que apresentamos os pré-candidatos, o advogado Edmilton Carneiro, que estava se filiando ao partido, também colocou o seu nome à disposição, bem como Maruse Xavier. Claro que as pré-candidaturas são informais, e estamos estabelecendo uma agenda até o fim do ano para o afunilamento das candidaturas. J. A. – Quais os critérios para a escolha do candidato? R. C. – Ainda não temos os critérios definidos, mas não é da tradição do PMDB a realização de prévias, ferramenta não utilizada pelo partido, mas desses nomes o que a sociedade sinalizar como o de maior musculatura, será levado à convenção, que avaliará se terá reais condições de disputar e será oficializado. Porém, caso a convenção avalie que esse nome não tenha viabilidade, dirá quais os rumos a serem tomados. Mas a nossa realidade é lançar candidatura própria, e se alguém de outro partido falar em oferecer a vice numa chapa, responderemos que se quiser vir que venha, pois o PMDB abre uma vaga para isso. J. A. – Como o PMDB é um partido composto por várias correntes e de pensamento político dos mais diversos, existe a possibilidade de que essas pré-candidaturas encontrem dificuldades, surgindo a necessidade de consenso, a exemplo do seu nome. Nesse caso, estaria disposto a partir para o sacrifício? R. C. – Pelo que conheço do PMDB, essa seria uma possibilidade muito remota, pois já fui candidato a prefeito algumas vezes e sei que ainda prevalece a polarização de duas candidaturas: a do atual prefeito e a do ex-prefeito Geraldo Simões, então como presidente do partido, vou trabalhar para viabilizar a melhor candidatura posta. “Não vamos caminhar para uma candidatura suicida” J. A. – Pelo que ouvimos no lançamento das pré-candidaturas, o PMBD seria uma “noiva” bastante assediada. Quem são os pretendentes? R. C. – O PMDB, por ser o maior partido brasileiro, sempre é assediado, todos querem estar ao seu lado. Quando souberam da falta de interesse de Ubaldo Dantas, Fernando Gomes e eu em lançar candidatura, muitos nos procuraram, pois acreditavam que não haveria alternativa. É bom que se diga que o PMDB não lançará um candidato apenas para marcar posição, pois não precisa disso, pois temos um compromisso com Itabuna e vamos analisar qual a melhor alternativa, o melhor nome para a cidade. J. A. – E os “noivos”? R. C. – É do DNA do PMDB conversar com todos os partidos, com todas as lideranças. Conversamos com Davidson Magalhães, com o prefeito Azevedo, com o ex-prefeito Geraldo Simões, conversamos com Vane, com Leninha, enfim, com todos os que nos procuraram. Agora, nossa definição é a candidatura própria, pois temos quadros de valor e o partido tem sua tradição e importância no desenvolvimento de Itabuna. “O PMDB é um partido democrático, plural, onde não se tolhe opiniões” J. A. – Quando o PMDB conversou com Leninha e ofereceu a possibilidade dela se filiar ao partido e ser candidata, deve ter dado alguma garantia para que deixasse o PPS… R. C. – Nossa conversa não foi nesses termos. Ela entrou como pré-candidata e houve até um retardo porque não seria a candidata e sim pré-candidata, mas acredito que Leninha leve uma grande vantagem em relação aos outros, pois está há mais tempo com seu nome na mídia, além de ter um nome leve, é simpática e possuidora de um carisma muito grande, tanto que vejo possibilidades reais da viabilização do seu nome. Agora não poderemos esquecer que Maruse também é muito simpática e bem articulada, tanto assim que são as que mais incorporam forças. Enfim, quando definirmos o critério de escolha, que pode ser uma pesquisa, por exemplo, veremos quem construiu melhor o seu caminho. J. A. – Haveria a possibilidade de o PMDB lançar uma chapa “puro sangue”, com duas mulheres disputando o pleito? R. C. – Não acredito, pois a chapa “puro sangue” isola muito. Como queremos disputar para ganhar, temos que trabalhar ampliando as possibilidades de vitória, e para isso deveremos nos juntar a outros partidos numa coligação. Não podemos esquecer que o PMDB, a exemplo do PSDB, tem um capital muito grande que é o tempo no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV e isso numa cidade como Itabuna onde o palanque eletrônico é essencial, e vale muito para agregar forças. “Eu não tenho nenhum constrangimento em pertencer ao PMDB” J. A. – Mas esse não é o discurso de quem está se propondo ser vice? R. C. – No PMDB não discutimos essa hipótese, que está totalmente fora das cogitações. Isso somente seria possível no caso de que nenhuma dessas pré-candidaturas se viabilizasse, pois temos maturidade e não vamos caminhar para uma candidatura suicida. Nesse caso, vamos conversar com outros pré-candidatos da chamada terceira via, com quem já estamos conversando, no sentido de saber o que nos aproxima e o que nos separa, mas com o objetivo de somar forças. É assim que o PMDB faz política. J. A. – Uma das lideranças do PMDB, Juvenal Maynart, tem alardeado que, em hipótese alguma, apoiaria Azevedo. É unanimidade no partido? R. C. – O PMDB é um partido democrático, bastante plural, onde não se tolhe opiniões, e Juvenal tem todo o direito de pensar e se expressar assim, porém essa não é a decisão do partido, que não fechou ou vetou a aliança com qualquer pessoa ou agremiação. No PMDB todos têm e devem ter o direito de pensar, mas a decisão é tomada de forma conjunta. Os vetos e aprovações serão decididos no futuro. “De forma equivocada, o PMDB apoiou a candidatura do Capitão Fábio” J. A. – Pelo que o senhor conhece do partido, para onde ou para que lado convergiriam essas correntes? R. C. – A Bíblia nos traz grandes ensinamentos e um deles é: ‘a cada dia, a sua agonia’. Então seria muito prematuro decidir sobre fatos que ainda não aconteceram. Por enquanto, é melhor que cada opinião fique com quem a expresse. J. A. – O PMDB é um partido no qual as diferenças conseguem conviver, o que tem beneficiado positivamente, em médio prazo, mas será que em longo prazo não trará prejuízos? R. C. – Pela sua história, desde o tempo em que ainda era o MDB, foi o partido possível de se contrapor à ditadura, e abrigou uma gama de tendências, desde as posições de centro-esquerda até gente da luta armada. Então, no decorrer dos anos, sob o comando de Ulisses Guimarães, esse colegiado era bem administrado. O PMDB nunca foi e nunca será um partido ideológico; não é de esquerda nem é de direita; mas não vamos nos esquecer de que quando se fala em José Sarney ou Renan Calheiros, também temos um Pedro Simon, um Jarbas Vasconcelos. O PMDB pode ser caracterizado como um partido de lideranças regionais, e que pelo amálgama de sua história aglutinou tantos políticos de renome, hoje abrigados no PSDB, PSB, PT. Apesar da saída dessas lideranças ainda continua sendo o maior partido do Brasil. “Não é da tradição do PMDB a realização de prévias” Eu não tenho nenhum constrangimento em pertencer ao PMDB e todos os partidos que aí estão, inclusive o PT, pode ser um exemplo de que não são ‘partidos de santos’ e têm pessoas decentes, embora também tenham sua ‘banda podre’. Então quem é o maior sempre terá sua banda podre na mesma proporção. J. A. – Apesar da tradição, o PMDB não tem hoje representação na Câmara de Itabuna. Qual o motivo? R. C. – É bom lembrarmos que o desastre eleitoral de 2008 prejudicou sensivelmente os candidatos a vereador. De forma equivocada, o PMDB apoiou a candidatura do Capitão Fábio, de triste memória, cuja renúncia às vésperas da eleição criou um trauma no eleitorado, prejudicando nossos candidatos. Fosse um candidato de verdade, teríamos elegido, no mínimo, dois vereadores. Para essa próxima eleição, esperamos compor uma chapa proporcional de excelente nível e deveremos eleger de dois a três vereadores, restabelecendo a tradição do partido em Itabuna. J. A. – Qual a estratégia a ser utilizada para eleger esses candidatos? R. C. – A eleição de vereadores tem nuances próprias, como sua história, seu prestígio e sua base eleitoral. Estamos montando uma chapa sem as chamadas grandes estrelas, os chamados campeões de voto. Na verdade, essas pessoas não têm compromisso com o partido e muitas delas bateram em nossa porta e receberam um solene não dos próprios pré-candidatos, pois a executiva delegou a eles a prerrogativa de aceitar ou não. Formamos um time homogêneo, o que é bem melhor. “Itabuna passa por uma crise sem precedentes” J. A. – Qual é o projeto que o PMDB tem para Itabuna? R. C. – O projeto do PMDB é o mesmo de todas as pessoas que gostam dessa cidade, e não admitem que os problemas, ao invés de serem resolvidos sejam agravados, como é a realidade atual. Itabuna passa por uma crise sem precedentes na saúde; a educação pública, cujos problemas não são do município, mas do governo federal; as questões de trânsito; segurança, hoje afeita ao município, de acordo com os convênios feitos com o Ministério da Justiça; os problemas ambientais causados com o crescimento imobiliário, com os esgotos despejados sem tratamento no rio Cachoeira; enfim, é preciso que um governante comprometido com a solução desses problemas resolva enfrentá-los, e esse é o nosso propósito. Itabuna precisa de um prefeito com visão de estadista, que saiba liderar uma equipe competente e comprometida com a administração da cidade. Os recursos existem em Brasília e no Banco Mundial, com verbas a fundo perdido, mas faltam projetos, o que impedem que esse dinheiro possa ser aportado em Itabuna. (Publição simultânea com o Jornal Agora - www.ciadanoticia.com.br).

6 comentários:

  1. Sandro Santos17 outubro, 2011

    DIGNIDADE talvez seja a palavra mais exata para identifiar este cidadão que merece todo nosso respeito, por tudo o que fez, faz e fará por nossa gente.

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  2. Val Cabral
    Gosto quando vc fala do Dr. Renato Costa.
    Realmente ele é nossa maior reserva moral e ética.
    Ele é a prova inconteste, que nem todos os políticos são bandidos.
    Sempre votei nele e lamento que o povo não tenha compreendido a necessidade de se eleger a parte boa que ainda resta na política baiana.
    Mas, ninguém é mais honrado que o Renato Costa.
    Mário Cerqueira

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  3. Toda vez que Renato Costa perdeu uma eleição, Itabuna deixou de ganhar em qualidade daqueles que compõem o que há de melhor na política e nas administrações públicas... lamentavelmente.
    Nivaldo Dantas

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  4. Wellington Monteiro17 outubro, 2011

    ESTE SIM MERECE NOSSOS VOTOS E APLAUSOS.

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  5. Pena que o povo não goste de quem é hinesto na politica.
    Se eu fosse Renato Costa, já teria dado as costas para esse povo ingrato e imediatista.
    Lourival Araújo da Silva

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  6. Rita de C. Lopes de Andrade17 outubro, 2011

    Cada lugar tem as privações e as autoridades responsáveis que merece...

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