Trief

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5 de agosto de 2011

JOBIM É O 3º MINISTRO DE DILMA A CAIR

Depois de ler a reportagem completa da revista Piauí e decidir demitir Nelson Jobim do Ministério da Defesa, a presidente Dilma Rousseff pediu para falar com ele por telefone. O ministro estava em Tabatinga, no Amazonas, fronteira com a Colômbia. Depois de ouvir as explicações de Jobim, Dilma foi dura e direta ao assunto: “Ou você pede para sair ou saio com você”. À noite, Jobim entregou uma carta de demissão à própria presidente Dilma, em reunião no Palácio do Planalto. Segundo informou o Planalto, o encontro foi rápido e durou apenas cinco minutos. Com a saída de Jobim, o ex-chanceler Celso Amorim assumirá a pasta da Defesa. Amorim já foi convidado para o cargo. Jobim, inclusive, antecipou seu retorno a Brasília, para essa reunião com Dilma. Na reunião de briefing, com Dilma e os ministros que trabalham com ela no Planalto, Gilberto Carvalho, ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência, tentou descontrair o ambiente e brincou com as colegas que foram atacadas por Jobim. O ministro da Defesa disse à Piauí que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, é “fraquinha”, e que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, “não conhece Brasília”. “Vou trazer um biotômico Fontoura para a Ideli e um GPS para a Gleisi”, brincou Gilberto Carvalho. Ao contrário do que disseram alguns assessores do ministro da Defesa, a presidente não soube, “há um mês”, que ele havia, em entrevista à Piauí, feito críticas às ministras escolhidas por Dilma depois da crise do caso Palocci, e que trabalham diretamente com ela no Palácio. O ministro da Defesa considerou o governo Dilma “atrapalhado” pela maneira como, dois meses atrás, tratou da Lei de Acesso à Informação, promovendo vários recuos ao se posicionar sobre o sigilo dos documentos ultrassecretos - no final, a presidente optou por manter a proposta da Câmara, contrária ao sigilo eterno e permitindo que documentos ultrassecretos tenham sigilo de 25 anos renovado por apenas mais 25 anos. A outra proposta era favorável a renovar indefinidamente o sigilo. Dilma ficou irritada com o fato de Jobim ter se encontrado ontem com ela e, na audiência, não ter falado sobre as críticas às ministras. Antes da audiência, no Planalto, a presidente havia recebido no Palácio da Alvorada, o assessor de Jobim, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino. Ele não falou com Dilma sobre a reportagem da Piauí. No início da noite, Jobim ligou para Ideli, falou da reportagem e disse que as palavras dele estavam “fora de contexto”. Ideli foi até a presidente e fez o relato sobre o que ouvira de Jobim. ALIADOS EXPÕEM E PARALISAM GOVERNO - Enquanto a oposição parece um time de futebol que só sabe uma jogada - pedir CPI de tudo, sem nunca conseguir as assinaturas necessárias - a base aliada resolveu se comportar como um “carrossel holandês” para constranger e expor a presidente Dilma Rousseff. O resultado é a completa paralisia do governo no campo da articulação política. Numa sequência quase inacreditável de acontecimentos, em uma semana e sem que a oposição movesse uma palha, Brasília produziu os seguintes fatos: Depois de demitido da Conab por acusação de irregularidades, o ex-diretor financeiro da autarquia Oscar Jucá, irmão do líder do governo no Senado, disse em entrevista à revista “Veja” que “só tem bandido” na empresa e envolveu o ministro da pasta, Wagner Rossi, nas acusações. Depois, demitido do Ministério dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) foi à tribuna da Casa para atingir seu sucessor, Paulo Passos, e dizer que Dilma foi informada de que havia problemas na pasta. Nelson Jobim, depois de ter dito que votou em José Serra, criticou duas ministras recém-nomeadas por Dilma. Já o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, disse ao Painel da Folha que “há dificuldades na gestão política” do governo. Num toque de pastelão à comédia, José Sarney afirmou que Ideli Salvatti não pode ser chamada de “fraquinha”, como teria feito Jobim, pois seria até mesmo “gordinha”. Tudo isso num governo do qual se falava, em seu início, que assessores e ministros teriam cautela em falar qualquer coisa por medo da reação de Dilma. Sarney não é nenhum neófito em política. Se falou o que falou, foi para humilhar a ministra da articulação política - numa demonstração de ingratidão, já que Ideli ajudou a salvá-lo dos pedidos de cassação em 2009. Jobim tampouco é um inconsequente. Se reincide na verborragia o faz por método, não por deslize. Diante de tal quadro de descontrole na área política, ou Dilma trata de cobrir os flancos abertos e agir ou enfrentará em breve derrotas importantes no Congresso.

4 comentários:

  1. Uma velha máxima que pouco se comenta, nos dias de hoje; mas bem oportuno recordá-la: "Aqueles que até os 20 anos não foram comunistas não tiveram coração, e quem depois dos 20 continua não tem cabeça"; comunistas, sob a ditadura do proletariado, podem até ter cabeça, mas por definição histórica não foram feitos para governar; povo não é cabeça.

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  2. Apenas para esclarecer, cumpanhero Antonio Augusto Oliveira. A cumpanhera Dilma nasceu nas Minas Gerais e após a anistia fixou residência no Rio Grande do Sul. Gaúcho é todo cidadão que cultiva as tradições da bacia do rio da prata. Voce gosta de um churrasquinho de costela gorda, mal assada? Então eu também gosto. Somos todos gaúchos! Agora se vier acompanhado de uma cachacinha mineira lá de Salinas - MG, somos todos mineiros. Não se esqueça cumpanhero Antonio que em 2014 eu vou voltar e conto com seu voto e de toda sua família.

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  3. Val Cabral
    Dizem que o inferno não existe, que o diabo não existe... mas acho que o diabo tem nove dedos e o inferno fica na sede do PT.
    Humberto Campos de Novais Jr.

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  4. Val Cabral
    É preciso dar início a um amplo movimento nacional, contra a corrupção e a impunidade. Ou a sociedade age ou ela será tragada para o mar de lama e o esgõto!
    Antonio José de C. Santos

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