Trief

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9 de março de 2010

MULHER COM DEFICIÊNCIA RECEBE SALÁRIO 28,5% MENOR

No Brasil, a discussão de gênero ainda é uma pauta recorrente, principalmente, quando se trata do assunto mercado de trabalho. As mulheres são minoria em postos de liderança e seus salários inferiores aos dos homens. Até aí nenhuma novidade. No mercado de trabalho para as mulheres com deficiência a diferença é ainda maior. Na população brasileira as mulheres ganham em média 17,2% menos que homens, entre quem tem alguma deficiência a diferença chega a 28,5%. A remuneração das mulheres é inferior em qualquer recorte - como escolaridade, setor de atividade ou tipo de deficiência - segundo dados da Rais 2008 - Relação Anual de Informações Sociais -, elaborada pelo MTE - Ministério do Trabalho e Emprego. Em alguns casos, como profissionais com deficiência auditiva, a defasagem entre os gêneros atinge 39%: homens recebem, em média, R$ 2.476,64; mulheres, R$ 1.507,48. Para Flávio Gonzáles, coordenador de Reabilitação e Capacitação Profissional da Avape, Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência, no trabalho desenvolvido pela organização junto às empresas para a colocação de profissionais com deficiência, não se sente esse tipo de discriminação ou preferência. “Acredito que os dados devem estar relacionados a atividades que essencialmente deem preferência aos homens, como o segmento metalúrgico”, disse. Ainda, segundo ele, a diferença para a contratação dessas pessoas está ligada ao tipo de deficiência. “As empresas ainda têm preferências por pessoas com deficiência física ou auditiva, ficando a colocação de profissionais com deficiência intelectual ou cega em segundo plano”, explica. Karolline Sales, 29 anos, tem retinose pigmentar e cegueira total desde o nascimento, mas nada disso fez com que desistisse de crescer. “Desafio é meu sobrenome! Desde pequena eu me desafiava a superar qualquer coisa. Entrava e saía da corda enquanto ela estava girando. Andava de bicicleta. Com o pouco de vulto que eu enxergava, aproveitava e pedalava, sem medo de nada”, destaca ela. Totalmente a favor de desafios, Karolline sempre sentiu necessidade de canalizar sua energia em atividades de superação. “Isso ajudou no meu desenvolvimento. Acredito que se eu não tivesse me ‘provocado’, teria entrado em depressão”. A jovem pega, todos os dias, três conduções para ir ao trabalho. Mesmo ainda sendo difícil, isso não a desmotiva. “No ônibus, por exemplo, dependo da boa vontade do motorista para me informar o ponto em que devo descer. Sempre ouço perguntas inconvenientes, mas já aprendi a contornar”, desabafa. Apaixonada por inglês, Karolline demorou até encontrar uma escola que tivesse estrutura para recebê-la. Fez vários testes até que conseguiu estudar na Cultura Inglesa e, assim que finalizou o curso, ingressou na universidade. “Cursei letras e hoje estou iniciando minha pós-graduação em acessibilidade". Para trabalhar na Avape – Associação para Valorização da Pessoa com Deficiência –, Karolline pediu exoneração de um cargo público. “Aqui meu trabalho é feito de coração para as pessoas com deficiência. Luto por aqueles que sei que têm capacidade e farei isso até o momento que eu puder. O meu trabalho acaba me atingindo diretamente”, finaliza. Quando se fala em mercado de trabalho Karolline destaca que o ambiente profissional para as mulheres com deficiência, ao menos no Brasil, não apresenta diferenças notórias do mercado profissional para homens com deficiência. “O que existe, na realidade, é um preconceito generalizado, independente do sexo. O problema ainda está na forma como o mundo enxerga as pessoas com deficiência e não no sexo em si, mas acho que as mulheres com deficiência devem colocar em prática sua feminilidade e potencial”, enfatiza a jovem. Com 27 anos de atuação, a Avape é uma instituição filantrópica de assistência social, que tem como missão promover as competências de pessoas com deficiência e de risco social. Fundada em 1982, a entidade é considerada modelo de gestão e foi a primeira em sua área a receber a certificação Iso 9.001. A Avape é reconhecida pelo trabalho de prevenção, diagnóstico, reabilitação clínica e profissional, qualificação e colocação profissional, programas comunitários e capacitação de pessoas e de gestão para organizações sociais. Oferece atendimento a pessoas com todos os tipos de deficiência e de risco social, do recém nascido ao idoso. Desde o seu início, já realizou mais de 18 milhões de atendimentos gratuitos e inseriu mais de 10 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Na busca de parâmetros internacionais, mantém parcerias e termos de cooperação técnica com diversas organizações nacionais e internacionais. (Folhablu .com.br – Ângela Góes).

4 comentários:

  1. A legislação brasileira determina que as empresas obedeçam às exigências legais a fim de preencher a cota de deficientes prevista no artigo 93, da Lei 8.213/91. A regra, embora em vigor há mais de 15 anos, é desconhecida por muitos empresários. Há algumas empresas que até conhecem a legislação, desconhecendo, porém, qual a melhor forma de se adaptar às regras.

    A legislação determina uma cota de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiências nas empresas com 100 ou mais empregados, nas seguintes proporções: até 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e de 1.001 em diante, 5%.

    O sistema de cotas possui alguns aspectos interessantes. Um deles prevê que a empresa somente pode dispensar um empregado inserido no sistema de cota se ocorrer a contratação de um substituto em condição semelhante. Ocorre que muitas empresas têm encontrado dificuldade em contratar profissionais especializados com deficiência ou até mesmo com o mínimo de preparação paras as vagas disponíveis. Outras, de forma bastante desonesta, se baseiam neste mesmo argumento para não contratá-los.
    Nese caso é uma evidencia para burlar a lei..... Ainda estamos engatinhando nesse particular pior ainda quando se trata das regiões norte/nordeste.
    Ana Meire. Ubaitaba.

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  2. Puro preconceito, eu trabalho com algumas mulheres e sei que elas são tão capazes quanto a mim pára desenvolverem qualquer atividade, inclusive as mihas.

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  3. Isto é discutido desde que as mulheres, conseguiram sua soberania no mercado de trabalho.
    Dizem que por serem "fracas", não podem fazer trabalhos pesados(Tais eles, como empresas e fábricas).
    Além de eu como (HOMEM) não acreditar, na falsa teoria da fraqueza das mulheres; se fosse assim, não carregariam seus filhos em suas barrigas, e ainda teriam paciência para amamentá-los.
    Infelizmente, o governo de nosso país não reconhece tal coisa.

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  4. Isso é o fruto de uma sociedade machista! Quer mudar isso? Elejam uma mulher para presidente, governadora, deputada, senadora, prefeita, vereadora! Se fortaleçam, e quem sabe as coisas mudem!

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