CNBB ANUNCIA APOIO A POLÍTICAS ANTI-AIDS - Documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, intitulado "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil", que norteará os rumos da Igreja Católica no país até 2010, acena pela primeira vez com a possibilidade de a igreja apoiar "políticas governamentais" de combate à Aids, mas sem detalhar essas medidas. O governo federal tem na campanha pelo uso de preservativos uma de suas políticas de prevenção contra a Aids e doenças sexualmente transmissíveis. No texto da CNBB, os bispos não usam a palavra preservativo. A Igreja Católica sempre foi contrária ao uso de preservativos pelos fiéis. No tópico intitulado "A pessoa, a pobreza, a exclusão e as ameaças à vida", a CNBB afirma que "a Pastoral da Aids se realiza em cinco direções: prevenção, intervenção, recuperação, ressocialização, acompanhamento e apoio das políticas governamentais para combater esta pandemia [Aids]". O tópico cita ainda que a "prevenção, baseada em critérios éticos e cristãos, deve implementar a informação, promover a educação e levar a assumir atitudes responsáveis diante da epidemia". Para o secretário-executivo da Pastoral DST/Aids da CNBB, frei José Bernardi, o texto abre uma "brecha" para que agentes da pastoral possam indicar o uso de preservativos em certos casos. "Eu acho que é uma brecha que foi deixada de forma até voluntária pelos bispos, embora não afirmem explicitamente. Os agentes da pastoral, que trabalham lá na ponta com a epidemia, com pessoas vivendo com Aids, de repente podem ter essa liberdade [de indicar o uso do preservativo]", disse. De acordo com ele, há situações "em que não há outro jeito" a não ser aconselhar o uso da camisinha. "Para ser a favor da vida, às vezes você tem que se valer dos próprios métodos da ciência e do desenvolvimento tecnológico, como nos casos de profissionais do sexo, de casais em que um é portador do vírus HIV e em presídios, por exemplo", disse. O secretário-executivo disse ainda que "tanto igreja como governo estão do mesmo lado". "Nós nos comprometemos a fazer o enfrentamento da epidemia. A igreja também quer colaborar com o governo para controlá-la." - Maurício Simionato
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente no blog do Val Cabral.