O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), se une às lideranças dos produtores e da lavoura cacaueira diante das consequências da forte queda no preço do cacau, principal atividade econômica da região sul da Bahia, e da importação, pela indústria processadora instalada em Ilhéus, de 10 mil toneladas de cacau provenientes de países produtores da África, além do possível desvirtuamento do regime de drawback.
A maior preocupação surge após a edição
da Instrução Normativa nº 125, de 2021, da Secretaria de Defesa Agropecuária do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estabelece as
regras para a importação de cacau e flexibiliza, de forma excessiva, os
critérios de defesa fitossanitária, permitindo a entrada do produto importado
sem o rigor técnico necessário.
Para o prefeito, a medida, se efetivada,
pode representar riscos à introdução de pragas e doenças exóticas, colocando em
ameaça direta a produção cacaueira baiana e brasileira.
“Nas últimas três décadas, tem sido
recorrente a alegação das moageiras de que não há cacau brasileiro capaz de
atender às suas necessidades de processamento. No entanto, o produtor também
enfrenta dificuldades por não contar com o amparo necessário, como assistência
técnica, extensão rural e crédito, apesar dos esforços diários para a melhoria
genética dos estandes e a adoção de tecnologias modernas”, comentou.
Além de se solidarizar com os
cacauicultores, o prefeito Augusto Castro somou-se aos esforços da Federação da
Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e defendeu a integração da
Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano (Amurc) e dos
consórcios Litoral Sul (CDS-LS) e Intermunicipal da Mata Atlântica (Cima). A
articulação tem como objetivo cobrar do governo federal o restabelecimento de
critérios técnicos mais rigorosos para a importação de amêndoas de cacau,
especialmente no que diz respeito às exigências sanitárias, em defesa do setor
produtivo, considerado o elo mais vulnerável da cadeia do cacau.
Nos últimos dois anos, o mercado do
cacau passou por forte volatilidade. Os preços internacionais atingiram
patamares históricos em 2024, mas recuaram posteriormente em razão do excesso
de oferta na Costa do Marfim e de pressões técnicas no mercado.
No Brasil, especialmente na Bahia, os
produtores enfrentaram desafios decorrentes da importação de cacau africano e
das oscilações de preços, ao mesmo tempo em que surgiram oportunidades com a
ampliação de programas de apoio à agricultura familiar.
“Para preservar a sanidade da lavoura cacaueira e em seu histórico esforço coletivo de luta, visando o soerguimento dessa fundamental atividade econômica no sul da Bahia, junto minha voz para que sejamos ouvidos pelos deputados federais, senadores, pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e pelo governo federal. É hora de união”, concluiu. (Política Livre).
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